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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Violência assusta alunos e docentes nas escolas de CG

Arrombamentos, furtos, roubos, arrastões e até homicídios. Esses crimes não são novidade em Campina Grande. Acontecem a cada dia com mais frequência e já ultrapassaram o limite do tolerável: o muro das escolas. Um dos ambientes mais propícios ao aprendizado de valores que norteiam uma sociedade pacífica com respeito, ética e justiça foi também um dos principais alvos dos bandidos durante esse ano na cidade. Exemplo disso foram os crimes cometidos dentro e fora das unidades de ensino, casos que deixaram alunos, professores, pais e funcionários com todo o rigor da palavra, amedrontados.

Houve casos de escolas que foram arrombadas mais de sete vezes ao longo do ano, como a Escola Estadual Nenzinha Cunha Lima, localizada no bairro José Pinheiro, e da Escola Estadual Ademar Veloso da Silveira, em Bodocongó. Já a Escola Municipal Lúcia de Fátima Gayoso, no bairro Alto Branco, também foi arrombada sete vezes, mas em apenas 13 dias. No ranking das ocorrências criminosas também está a Escola Municipal Luzia Dantas, no mesmo bairro. Em um dos roubos registrados, o bandido terminou ferindo o vigilante do local com um golpe de faca no pescoço.

Esses arrombamentos e assaltos, facilitados muitas vezes pelas deficiências físicas das unidades, tiveram um triste desfecho no mês de maio, na Escola Estadual Anésio Leão, bairro da Palmeira. Um buraco no muro que dá acesso à quadra da escola facilitou a prática de um crime chocante. No início da tarde, o estudante Wanderson Costa Mercês, de 21 anos, jogava bola na quadra e saiu para tomar água, quando foi assassinado. O estudante morreu ainda no local.

No entanto, mesmo sete meses depois do ocorrido, os alunos e funcionários da instituição continuam expostos à face mais cruel da violência. É que nada foi feito: o buraco no muro continua lá. Já a quadra foi interditada, então os jovens passaram todo o ano sem praticar educação física e, para piorar, a escola está sem vigilante, como constatou nossa equipe de reportagem ao visitar o local, no dia 14 de dezembro.

“Estamos fazendo de tudo para continuar trabalhando, confiamos na comunidade, que nos dá apoio e cumprimos nosso dever. Mas o fato é que ninguém parece se importar com essa situação”, disse um dos professores da escola. Já o professor Josinaldo Luís de Aquino, de Educação Física, afirmou que no próximo ano não sabe se terá condições de continuar com as turmas, tendo em vista as dificuldades e impossibilidade de usar a quadra de esportes. A escola conta com sistema de monitoramento de câmeras, mas isso não é suficiente para impedir as ações dos bandidos. Por isso, os portões do bloco de salas são fechados a cadeados.

Do outro lado de Campina Grande, seis dias após o assassinato do aluno, outra ação chocou mais uma vez os estudantes e colegas de trabalho do professor Eraldo César Araújo, de 48 anos, da Escola Estadual Major Veneziano, no bairro da Catingueira. Ele corrigia provas quando foi surpreendido por um homem usando capuz, que entrou pelo portão da frente da escola e disparou duas vezes contra o professor, que morreu no local. Depois do caso, as aulas foram suspensas por alguns dias e os estudantes fizeram protestos pedindo mais segurança.

Uma das últimas ações que teve como alvo uma unidade de ensino aconteceu na Escola Estadual Williams de Sousa Arruda, no bairro dos Cuités. A escola foi invadida cinco vezes este ano. Só na última semana, foram duas. Em uma delas, nos bandidos fizeram um arrastão e levaram objetos dos funcionários e alunos. A diretora da unidade pediu para sair do cargo desde agosto, e desde então, a escola está sob a responsabilidade do presidente do Conselho Escolar, Herculano Cândido, que não sabe se o turno da noite vai funcionar em 2016.

LF/jp
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