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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

'Os partidos em que militei se esgotaram', diz deputada Luiza Erundina

JP - A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) lançou no último dia 22 seu o novo partido: a Raiz Movimento Cidadanista, tentando torná-lo o 36º partido brasileiro. Inspirado no Podemos, da Espanha, e no Syriza, da Grécia, o partido tem como princípios as filosofias Ubunto (rompimento com o individualismo), Teko Porã (viver em aprendizado e convivência com a natureza) e o Ecossocialismo (convergência entre as reflexões ecológica, socialista e marxista). A Raiz, segundo ela, surge como uma oposição ao capitalismo e com a proposta de reconstruir a política, provocando fortes transformações no atual sistema político brasileiro. Erundina aposta na interação com a sociedade através das redes sociais, com reuniões transmitidas pela internet, inclusive, o manifesto do novo partido foi elaborado com base em votações feitas na rede mundial de computadores. Ela defende que a Raiz é um movimento constituído por círculos autônomos e protagonistas. Para aprovar a criação do partido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são necessárias quase 500 mil assinaturas, mas a socialista afirma que não há pressa. Para disputar as eleições deste ano, os integrantes da Raiz devem firmar acordos de filiações democráticas com o PSOL e Rede Sustentabilidade. Segundo a deputada, na Paraíba, o movimento é forte no município de Sousa. 

JORNAL DA PARAÍBA - Por que um novo partido? 

ENTREVISTADO -  “Estou no Congresso há 16 anos e desde que cheguei lá, luto, participo de comissões, frentes, para tentar viabilizar uma reforma política, mas em 16 anos não se avançou minimamente. Nós constatamos um esgotamento das propostas partidárias que existem hoje. São muitos partidos, mas sem identidade, sem ideologia. Há um fenômeno mundial, através das manifestações de massa, que ocorrem desde 2008 e no Brasil desde 2013, o que indica a necessidade de uma mudança estrutural na cultura, nos projetos políticos, na forma de fazer política. Há mais de um ano esse grupo (da Raiz) vem discutindo e vem construindo o caminho, uma proposta que seja capaz de responder aos anseios da sociedade e também de corrigir as distorções do atual sistema político. A Raiz é inspirada no Podemos, da Espanha, e no Syriza, da Grécia, dois novos partidos de matriz socialista. A Raiz não é um partido para os movimentos, ela é o próprio movimento, é um movimento em construção e aberto a novas demandas e ideias, a novas formas de fortalecer um novo caminho para a política brasileira. Foi isso que me motivou. Temos muitas incoerências nos partidos. Um partido socialista se unir à direita (em crítica ao seu atual partido, o PSB), um conjunto de partidos se unir para viabilizar um governo”.

JP - Qual a diferença da Raiz para as outras siglas?
ENTREVISTADO -  “Os partidos em que militei, o PT e o PSB, se esgotaram. Há uma perda de identidade, de ideologia. Você tem várias siglas, mas o problema é que elas não expressam o que realmente são. É salutar e necessário que se tente outros caminhos, outros modos de ver e praticar a política, uma nova forma de conduzir o poder. É um desafio e nós estamos tentando dar a nossa contribuição. A Raiz vai estar sintonizada com a sociedade, que é dinâmica, as demandas vão mudando e nossas instituições políticas não acompanham. Os partidos políticos têm seus donos, não se renovam. A Raiz é um esforço que estamos fazendo com novos atores, temos muitos estudantes, professores universitários e militantes de esquerda que perderam o encanto. Nós queremos atrair a juventude e resgatar o significado da política”. 

JP - Não há o risco de o partido se tornar só mais um?
ENTREVISTADO -  “Já estávamos contando com essa crítica. Que a Raiz seria o meu partido, que eu seria a dona. Eu já cumpri o meu papel na política e nem precisaria estar envolvida em uma tarefa tão difícil, tão complexa. As críticas não me atingem porque a minha caminhada todos conhecem. Não abro mão da minha coerência e já dei provas disso. Sou uma idealista, acredito no meu sonho, e os sonhos precisam ser grandes, além da nossa existência. Eu me vejo ainda, sobretudo com a experiência que tenho na política, adquirida nas três esferas do Legislativo, estou no quinto mandato, poucas mulheres brasileiras tiveram a oportunidade de ter essa experiência. Isso é um patrimônio que não é meu, é da sociedade, é das esquerdas, daqueles de fato constroem a nação, as cidades e nunca usufruem dela. Nós temos sérios problemas de mobilidade, da violência. São questões muito candentes e que precisam de soluções. As pessoas estão sem expectativa e nós não queremos nos fechar nesse ciclo de desalento, mas não temos como fazer mudanças sem partidos, mas partidos de verdade. Não pretendo mais me candidatar, mas vou continuar fazendo política ate o fim da minha vida”.

JP - Como anda o processo de criação?
ENTREVISTADO -  “Já fizemos o ato de fundação, em Porto Alegre, e vamos formalizar o pedido de registro no Tribunal Superior Eleitoral para iniciar a coleta de assinaturas. Nosso estatuto e manifesto foram aprovados e foi fruto de um amplo debate via redes sociais e internet. Temos um princípio da horizontalidade. A base do partido não está nas direções, na verdade, nem existem direções e presidente. São coordenações e a base são os círculos temáticos que se organizam em todo o país. São os círculos que detém o poder e serão os protagonistas desse processo. Não queremos financiamento de nenhuma instituição. Nosso manifesto é uma carta, que é aquilo que vai e volta, um escreve e o outro responde. Não é pouco o que nós queremos e nós queremos contaminar a sociedade. Quem está insatisfeito e queria vir junto, não precisa se filiar, porque a Raiz é um movimento. É algo revolucionário, independente de filiação. Nos inspiramos no Ubuntu, que representa o rompimento com o individualismo; no Teko Porã, presente em todas as culturas ameríndias, que estão na origem da nação brasileira, uma filosofia que significa viver em aprendizado e convivência com a natureza. Com isso a gente combate o capitalismo, o consumismo, a dominação”.

JP - É oposição ao capitalismo?
ENTREVISTADO - A Raiz é uma oposição muito clara ao capitalismo. Somos inspirados na ideologia Ubuntu e na cultura indígena que diz assim: vamos construir o bem viver, que é o viver em harmonia com o outro e com a natureza. Somos contra o capitalismo, contra o consumismo que exclui a maioria do povo”.

JP - E para a disputa neste ano?
ENTREVISTADO - Cada um é um partido e tem suas posições, mas transitam no mesmo campo, com uma concepção socialista do mundo. Houve uma experiência da Marina (Silva) com o PSB, ela sem partido porque não conseguiu criar a Rede, e ela acordou com o Eduardo Campos uma filiação democrática para disputar as eleições. Ou seja, sem o compromisso de permanecer na legenda. Queremos reproduzir isso, mas não com qualquer partido, precisa ser com um que tenhamos afinidade e o que mais se aproxima é o PSOL. A Marina também ofereceu essa possibilidade aos companheiros fundadores da Raiz. Provavelmente já nestas eleições teremos alguns vereadores em São Paulo e alguns prefeitos. Vamos ser rigorosos na política de alianças, se não, nós vamos repetir o velho e nós somos o contraponto a tudo isso. Não estamos preocupados com a eleição, mas queremos contribuir, rever posições.

Com Jornal da Paraíba
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