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domingo, 24 de janeiro de 2016

Sabedoria popular diz que 2016 será um ano bom de inverno

Não é de hoje que a sabedoria popular se adianta e traz um prognóstico em relação ao período chuvoso de cada ano na região Nordeste. Os “profetas da chuva” são geralmente agricultores, com pouca instrução educacional, mas que adquirem experiência de tanto observar o comportamento da natureza e dos fenômenos naturais. Castigados pelos últimos quatro anos, que fizeram desta uma das maiores secas no Semiárido nordestino, os agricultores nordestinos não perdem a esperança, que se renova a cada “preparo de chuva” visto nos céus e principalmente quando as “experiências” são favoráveis a um inverno bom. Para eles, o que diz a meteorologia é algo complicado, cheio de números e nomenclaturas esquisitas, ficando mais fácil observar a própria natureza, que se encarrega de mostrar os sinais de como se comportará nos dias futuros.

Mesmo com a chegada da tecnologia, ainda é fácil encontrar em todas as regiões da Paraíba, principalmente no interior, pessoas que para este ano já tem sua previsão definida para a estação chuvosa no Estado. Em Catolé do Rocha, Manoel Alves não trabalha mais na agricultura, mas todo ano faz seus estudos e experiências com a natureza. Para ele, é fundamental observar os céus no amanhecer do primeiro dia de cada ano e seguir acompanhando o comportamento das nuvens nos cinco primeiros de janeiro. Este ano, segundo ele, o dia primeiro de janeiro amanheceu com uma barra no “lado do nascente” e isso é um sinal muito bom para o inverno. Ele também observou que o pássaro João-de-Barro construiu sua casa com a entrada virada para o oeste, que também é um bom sinal para a ocorrência de chuva.

Aos 90 anos, seu Joca Barbosa continua na ativa e nem pensa em parar. Este ano, ele já fez sua experiência e baseado nela já plantou seu roçado e tem certeza que vai lucrar tudo que plantou. O agricultor mora no sítio Jenipapo, zona rural de Campina Grande e revelou que sua certeza de um ano “bom de inverno” vem de acompanhar a floração de uma árvore nativa conhecida como “Barriguda”. Se no fim do ano anterior essa planta florar completamente, é sinal de que o período chuvoso do ano seguinte será bom, se a floração for pela metade simboliza que o inverno não será bom. “Este ano, a Barriguda do meu roçado florou todinha e cacheou toda”, disse seu Joca.

Para agricultor Manoel Duarte, que mora na zona rural do município de Caturité, as primeiras chuvas do ano mostram como se comportará o inverno. “Essas chuvas que chegaram em dezembro e janeiro são umas chuvas mais seguras e a gente sabe que pode melhorar daqui para frente”, disse. Outro sinal positivo para chuva observado pelo agricultor é quando pela manhã não há orvalho na vegetação. 
Apesar de não saber nada sobre mudanças climáticas, alguns dos antigos profetas da chuva estão reclamando que hoje “o tempo está mudado” e muitas previsões que antes eram infalíveis agora estão dando errado. Para o professor Jonas Duarte, pesquisador do Instituto do Semiárido (Insa), a interferência do ser humano na natureza mudou a maneira de cada fenômeno observado pelos profetas da chuva. O professor explica que a história das previsões é antiga e vem da época dos povos indígenas, que observavam o comportamento da natureza durante todas as estações do ano. 
Ainda segundo ele, em alguns casos, pela religiosidade da população rural, dias considerados sagrados são apontados como marcos para definir o período chuvoso. “É provado cientificamente que a natureza dá sinais. No campo você precisa ler a natureza, para poder se orientar. Antigamente o homem do campo não tinha acesso às previsões meteorológicas e por isso tinham que observar esses sinais”, pontuou.


Agricultores vão  se reunir em CG

O professor e pesquisador do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) Daniel Duarte está articulando junto a outros pesquisadores e entidades a realização do I Encontro dos Profetas da Chuva do Semiárido. Apesar de nada estar definido ainda, a perspectiva é que o evento ocorra em março justamente no dia 19, dia de São José, que simboliza o marco do período chuvoso no Nordeste. 
O encontro deverá acontecer na sede do Insa, em Campina Grande, e pretende reunir no mínimo 18 “profetas da chuva”, sendo dois de cada Estado nordestino.

OS METEOROLOGISTAS

De acordo com a previsão dos meteorologistas da Agência Executiva de gestão das Águas (Aesa), as chuvas nas regiões do Cariri, Curimataú e Sertão ficarão dentro ou abaixo da normalidade nos próximos três meses, entre fevereiro e abril, com possibilidade de uma melhoria no quadro a partir do mês de março. 
As chuvas já começaram na Paraíba em decorrência de um fenômeno chamando de vórtice ciclônico que está atuando na região. 



Caso não chova, água dura cerca de 8 meses



Das oito casas localizadas no terreno acidentado do sítio Gruta Funda, nas margens da BR-104, em Lagoa Seca, duas são da família de Thayná dos Santos, 21 anos. Sem acesso à rede de distribuição de água ou coleta de esgoto, a única forma de garantir o mínimo para as necessidades diárias era retirar água de um poço, localizado a alguns metros dos imóveis, responsabilidade quase que diária para o tio da jovem. A realidade da família começou a mudar há cerca de um ano, quando as duas casas passaram a contar com cisternas que armazenam água da chuva. 

Segundo o governo federal, responsável pelo Programa de Cisternas, a jovem é um dos 395,4 mil paraibanos beneficiados nos últimos 12 anos com 98,8 mil equipamentos deste tipo, voltados para consumo doméstico. Em todo o Semiárido brasileiro, nesse mesmo período, de 2003 a 2015, 4,9 milhões de pessoas foram beneficiadas pelo programa com 1,2 milhão de cisternas. 

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), desse total, 11,3 mil foram construídas na Paraíba no ano passado, encerrado com 125,6 mil novas cisternas instaladas nos Estados do Nordeste e em Minas Gerais, que também tem municípios localizados no Semiárido, região que mais sofre com a seca. Além das cisternas para consumo doméstico, o MDS também oferece outras tecnologias para captação de água, como barragens subterrâneas e barreiros trincheira, voltados para as plantações dos pequenos agricultores. Nesse caso, conforme o Ministério, pouco mais de dez mil foram construídas na Paraíba nos últimos 12 anos, beneficiando 40,1 mil pessoas. 

No caso da família de Thayná, as duas cisternas são para consumo humano e armazenam cerca de 12 mil litros de água cada uma. Para tornar o uso ainda mais eficiente, na casa onde a avó dela mora, a família improvisou uma tubulação para levar a água da cisterna para as torneiras. “Usamos para lavar roupa, cozinhar, dar banho nas crianças. É muito melhor ter essa água limpa guardada, sem ter que ir buscá-la no poço, até porque quando chove conseguimos juntar água para uns oito meses, caso não chova mais”, ressaltou a estudante, mãe de uma criança de três anos. 

Antes disso, conta Thayná, a água retirada do poço não durava mais que 48 horas. “Antes, meu tio tinha que ir quase todos os dias buscar água no poço e dividir para usarmos nas duas casas, mas depois das cisternas ele raramente faz isso, só quando é necessário para regar as verduras que cultivamos, coisa que nem estamos fazendo por que está chovendo bem”, contou. 

Para estocar água voltada ao consumo humano, as cisternas do governo federal, feitas de polietileno ou placas de concreto, são abastecidas por um sistema de calha que capta água da chuva. Eles têm capacidade de armazenamento de até 16 mil litros, quantidade suficiente para abastecer uma família de cinco pessoas por quase um ano. Além de simplificar a rotina da família, o equipamento também é sinônimo de mais saúde. 

“O acesso à água para beber, cozinhar e atender as necessidades diárias traz benefícios imediatos, pois água é sinônimo de qualidade de vida. O que chamamos atenção e sempre orientamos é para que as pessoas mantenham as cisternas sempre limpas, fechadas e não utilizem baldes ou objetos sujos para retirar água do reservatório”, destacou a secretária de Saúde de Lagoa Seca, Débora Charmenes.

JP
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