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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Aumento da microcefalia pode ter relação com problemas estatísticos

JN-Os números crescentes de caos de microcefalia puseram todo mundo em alerta. Mas alguns cientistas brasileiros suspeitam que, pelo menos em parte, esse aumento do número de casos tenha a ver com problemas nas estatísticas oficiais.

Os registros de microcefalia no Brasil não passavam de 150 por ano, antes da epidemia de zika em 2015.
Mas o jornal Folha de S. Paulo traz nesta segunda-feira (15) estudos que apontam que havia mais casos de microcefalia que o divulgado pelo Ministério da Saúde.

A reportagem diz que dois grupos de pesquisa estimaram que, antes da epidemia de zika, o Brasil teria pelo menos seis mil bebês com microcefalia por ano.

De 2010 a 2014, o Ministério da Saúde registrou de 139 a 175 casos de microcefalia por ano. A notificação só passou a ser obrigatória em outubro do ano passado, diante de um aumento fora do normal em maternidades de Pernambuco e Rio Grande do Norte, de casos de crianças nascidas com a cabeça pequena, com até 32 centímetros de circunferência.

Na Paraíba, uma das pesquisas analisou bases de dados de recém-nascidos antes da epidemia e descobriu uma grande diferença entre o número de casos de microcefalia registrados e os notificados ao Ministério da Saúde.

“O que acontece nesses casos, que estão sendo notificados agora, é que existe um aumento de casos graves, isso é verdade, e são esses que estão muito relacionados à zika, mas esses números não são tão grandes. O que está acontecendo é que está havendo agora uma notificação de casos leves que provavelmente passaram despercebidos”, diz Sandra Mattos, cardiologista pediátrica.
O Ministro da Saúde negou problemas nas estatísticas.

“Não há nenhuma fragilidade. A microcefalia não era de notificação compulsória. Nós não tínhamos epidemia de microcefalia no Brasil. E após uma epidemia de zika, que esse vírus não existia nas Américas, não habitava nas Américas, o primeiro registro foi abril de 2015, então surgiu uma epidemia de microcefalia seis meses, sete meses, oito meses, nove meses após a chegada do vírus aqui”, comenta o ministro da Saúde, Marcelo Castro.

Mais de cinco mil suspeitas de microcefalia foram registradas de outubro até agora. Mil e 200 já foram analisadas. Dessas, 765 são bebês com a cabeça menor que o normal, mas que não apresentaram danos do cérebro, ou seja, não há nada que indique neste momento que eles não estão saudáveis. Em 462 casos foi confirmada a microcefalia com danos no cérebro - em 41 deles, foi possível fazer a ligação com o vírus da zika - a mãe teve o vírus. Quase quatro mil casos ainda estão em análise.

O Ministério da Saúde afirma que a principal razão para o aumento dos casos de microcefalia é a infecção pelo vírus da zika.

“Houve e continua se mantendo um aumento importante do nascimento de crianças com microcefalia em relação ao que acontecia normalmente no país. Temos evidências suficientes para associar a microcefalia a infecção pelo vírus zika. Temos evidências epidemiológicas, temos a coincidência geográfica, temos a coincidência no tempo e temos diversos resultados laboratoriais que confirmam esta relação para nós”, diz Cláudio Maierovitch, Dep. Vigilância das Doenças Transmissíveis.

Os estudos estão apenas começando. O ministério da Saúde diz que ainda não é possível saber quantas mães tiveram o vírus da zika e mesmo assim os filhos nasceram saudáveis, com exames normais. Essa estatística é apontada por especialistas como fundamental para sabermos o comportamento do vírus e a relação com a microcefalia.

O biólogo diz que a microcefalia com danos no cérebro pode ter várias causas, como subnutrição e rubéola. Ele alerta para o cuidado com os números enquanto não há testes mais eficientes que apontem se a mãe teve o vírus da zika.

“É difícil saber se existe um surto, porque você precisa saber se essas 41 crianças, que fração elas são do total de crianças que nasceram cujas mães tiveram zika durante a gravidez. Muitas mães podem ter tido zika durante a gravidez, e os filhos nascerem normais. Se esse número for muito grande, como, vamos supor, 50 mil, 100 mil, é 41 em 100 mil. Agora, se o número de mães que tiveram zika durante a gravidez e os filhos nascerem normais é muito pequeno, aí o problema é muito mais sério, uma grande porcentagem de filhos de mães que tiveram zika vão ter o problema”, aponta Fernando Reinach, biólogo.

Os Estados Unidos registraram até agora 52 casos de zika. Todos contraídos no exterior, em países da América Latina, como Brasil e Venezuela. E há um caso de bebê que nasceu com microcefalia associada ao vírus da zika, no Havaí. A suspeita é que a mãe tenha contraído zika no Brasil.
A notificação de bebês americanos que nascem com microcefalia era obrigatória antes mesmo da suspeita de ligação com a zika.

Um cientista do Instituto de Pesquisas Neurológicas Infantis de Seattle está recebendo exames de crianças brasileiras com microcefalia e diz que o alerta mundial contra a zika é real.

Na Colômbia, autoridades informam que há cinco mil grávidas infectadas pelo vírus da zika, mas o governo colombiano diz que ainda não registrou nenhum caso de microcefalia relacionado à zika.

No Brasil, o Ministério da Saúde diz que está agindo, enquanto as pesquisas avançam.
“O que se pode fazer está sendo feito. É a prevenção procurando evitar a proliferação do mosquito e evitar o contato do mosquito com as gestantes. Esse não é momento de mensagens traquilizadoras, é um momento de emergência nacional”, aponta Cláudio Maierovitch.
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