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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Chuvas de janeiro superam média histórica na PB e Sertão tem maior volume

jp-Depois de quatro anos seguidos de baixas precipitações, as chuvas que ocorreram durante todo o mês de janeiro na Paraíba renovaram as esperanças da população em uma boa quadra invernosa, principalmente no Sertão e Cariri do Estado, as regiões mais castigadas pela seca. A impressão dos paraibanos é que este ano será de boas chuvas, capazes de recarregar os açudes e garantir uma boa colheita. E a tirar pelo mês de janeiro, eles têm razão. Conforme a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), no último mês, as chuvas ficaram 91,2% acima da média esperada em todo o Estado, que varia de 100 milímetros no Alto Sertão a 32 milímetros no Cariri e Curimataú. No mesmo período do ano passado, as chuvas foram 76,3% abaixo da média.

As dez cidades onde as precipitações foram mais intensas estão localizadas no Sertão do Estado. Bom Jesus acumulou, somente em janeiro, 327,6 milímetros de chuva, o que significa o triplo da média histórica para a região, que é de 100 milímetros. Catingueira, São José da Lagoa Tapada, Emas, Cacimba de Areia, Coremas, Cajazeiras e Tavares também acumularam chuvas acima de 260 mm. No Cariri, as cidades que acumularam as maiores precipitações foram Amparo (184,0mm) e Monteiro (176,9mm), que também ficaram acima da média mensal da região, segundo a Aesa, de apenas 32 mm.

Além do volume de precipitações ter sido maior, aumentou também a quantidade de cidades que registraram chuvas. Este ano, somente no mês de janeiro, choveu em 181 municípios paraibanos, 23 a mais que em 2015, quando 158 cidades registraram precipitações. As chuvas de janeiro, mesmo não integrando a quadra chuvosa estabelecida entre os meses de fevereiro e de maio, já podem ser indício de melhores condições para o período chuvoso em 2016 no semiárido, apontou a meteorologista da Aesa, Carmem Becker. 

“Essas chuvas chegaram em uma intensidade boa, aliviaram várias regiões do Estado castigadas pela seca e já podem ser indício de condições melhores para o período chuvoso em 2016 no semiárido. Porém, os sistemas meteorológicos que provocam as chuvas de janeiro não são os mesmos que geram chuvas entre fevereiro e maio. Para esse período, o principal sistema causador de chuvas é a Zona de Convergência Intertropical”, explicou Becker.

Conforme a Aesa, a previsão meteorológica para o trimestre aponta que as atuais condições mostram um enfraquecimento do fenômeno El Niño no oceano Pacífico e o Atlântico também deve oferecer condições para a chegada de chuvas. A expectativa da agência é que as chuvas sejam na média ou abaixo da média até final de março. 

Apesar das precipitações, recarga de açudes é pequena

Os bons índices pluviométricos registrados em janeiro, que superaram a média histórica na Paraíba também serviram para mudar a realidade de alguns mananciais do Estado. O açude Várzea, no Seridó, registrou o maior acréscimo percentual do Estado (16,23%). Já o açude Marés, em João Pessoa, registrou um aumento percentual de 10,35%. Houve recarga também no Cariri, onde o açude de Sumé teve um acréscimo de 5,98% e o de Camalaú, de 2,75%. Os dados são da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) e são relativos ao período de 1º a 29 de janeiro.

Mesmo com os acréscimos no volume de alguns mananciais, o Estado permanece em situação crítica em termos de disponibilidade hídrica. Na comparação da condição do armazenamento dos reservatórios entre a segunda quinzena de janeiro de 2015 e o mesmo período de 2016, há uma redução no volume, segundo dados da Agência Nacional das Águas (ANA). Enquanto no último ano os principais reservatórios do Estado acumulavam 22,5%, neste ano o acumulado é de 13,8%. 

Conforme o presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), João Fernandes, os aportes verificados em vários açudes não foram expressivos em relação a suas capacidades, mas serviram para aliviar o drama vivido em algumas regiões e renovar a esperança da população. “As chuvas de janeiro, embora muitos desconsiderem, foram importantes para estabilizar a queda do nível de alguns mananciais. Foram chuvas de pré-estação, mas que mostram que o período chuvoso pode ser bom, e assim melhorar a situação dos nossos reservatórios”, afirmou o presidente.
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