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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Mais Médicos melhora atendimento, mas cobertura ainda é pequena

JP-Acostumada a precisar de atendimento médico e não encontrar um profissional na unidade básica de saúde próxima a sua casa, Elisa Francisca não conta as vezes que precisou andar longas distâncias até outro posto de saúde, apenas para realizar uma consulta. Moradora do bairro José Pinheiro, em Campina Grande, local  imerso em uma realidade de vulnerabilidade social e marginalidade, e que afastava muitos médicos que temiam exercer sua profissão no local, hoje Elisa não tem essa preocupação. Faz cerca de oito meses que ela se consulta com a mesma médica, a venezuelana Cláudia Jaquelin Yeni, 30 anos, do 'Programa Mais Médicos' do governo federal. 

“Eu não vejo muita diferença de outros bairros carentes, o povo tem medo do tráfico, da delinquência, mas durante o tempo que estive aqui o povo respeita”, diz a médica, que critica: “realmente as equipes de saúde não são completas, o povo é bem carente, então só posso passar a medicina que tem no próprio posto ou que eles possam conseguir gratuitamente. É uma realidade difícil, mas todo mundo precisa de atendimento adequado”.

Assim como na unidade de saúde Tota Agra, no José Pinheiro, em locais distantes, de difícil acesso ou em condições precárias na Paraíba, 421 profissionais do Programa Mais Médicos têm mudado a realidade das pessoas que, em muitas situações, procuravam atendimento e não conseguiam. Entretanto, mesmo com o avanço que o programa trouxe, a cobertura ainda não é ideal, e existe necessidade de mais profissionais nas Unidades Saúde de Família na Paraíba.

Além da médica Cláudia Jaquelin, há outros 27 profissionais atuando pelo Mais Médicos em Campina Grande. Já em João Pessoa há 58. “Considera-se que o programa proporciona mais médicos para regiões com insuficiência ou ausência desses profissionais e tem resolvido questões emergenciais no atendimento básico ao usuário, porém ainda existe necessidade de mais profissionais, realidade no país”, diz Morgana Brito, da Gerência de Atenção Básica da Secretaria Estadual de Saúde.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos da Paraíba, Tarcísio Campos, mesmo com a  atuação do programa, não se pode esquecer que ainda há muitas dificuldades para a saúde. “Sem dúvida a realidade dos municípios, principalmente os com IDH menores, continua com muitas dificuldades na questão saúde, ou seja, não houve melhoras significativas do ponto de vista assistencial da atuação médica. No entanto, seria irresponsabilidade não admitir que a presença de um médico em um local onde não existia nenhum não faz diferença", esclarece. Ele frisa ainda que a realidade de hoje é diferente da de 4 anos atrás, quando o programa foi lançado.

O que diz o ministério da saúde

Segundo o Ministério da Saúde (MS), não há previsão de ampliação da quantidade de vagas do Programa Mais Médicos, apenas reposição em caso de desistência por meio de editais trimestrais. No último edital divulgado, semana passada, 12.791 médicos disputaram 1.173 vagas em 649 municípios do país. Na Paraíba foram selecionados 36 médicos. 

O próximo passo para o profissional alocado é confirmar o interesse na vaga apresentando-se à prefeitura entre os dias 11 e 16 de fevereiro. O gestor deverá, então, incluir o profissional no sistema. O médico selecionado que não se apresentar no município para fins de validação da vaga no prazo indicado no cronograma será excluído da seleção e sua vaga será disponibilizada para os médicos que concorram à chamada seguinte.
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