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quinta-feira, 17 de março de 2016

Entidades não acreditam em melhora da economia com Lula no governo

JP-Parte do setor empresarial da Paraíba não acredita em melhora econômica com ingresso do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil. O discurso dos dirigentes de classes é que a retomada econômica só acontecerá quando houver a organização das contas públicas do governo federal, para que os investimentos possam ser feitos, e a definição da situação política do país. 

O presidente da Associação Comercial da Paraíba, Alexandre Moura, destaca que não adianta Lula implementar, no atual contexto, o modelo econômico baseado no incentivo ao consumo e elevação do crédito, realizado no passado. “Este modelo já foi esgotado. Utilizá-lo agora só pioraria a situação. As famílias não têm capacidade de endividamento porque já estão muito inadimplentes. É preciso executar um novo modelo”, avaliou ele.

Alexandre Moura destaca que a crise política também causa um efeito muito negativo. “O governo só pensa em se manter no poder. Os investidores não confiam neste governo e não realizam investimentos no Brasil. Falta uma política econômica que resolva o déficit público em um horizonte de médio e longo prazo”, afirmou ele.

O vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Irenaldo Quintans, afirma que o acerto das contas públicas é o primeiro passo para a retomada da situação econômica. “A desorganização das contas leva ao descrédito dos investidores internacionais. Perdemos uma grande conquista, que foi ter um grande grau de investimento. Quando a economia do país cai, isto prejudica os estados e municípios, que têm diminuições em seus repasses”.

Irenaldo Quintans evidencia que “o governo não pode gastar o dinheiro que não tem”.  “Não acredito que a situação vai melhorar com Lula. Ele não é economista, embora seja articulador. Estamos em um cenário muito nebuloso. Falta transparência”, contextualizou ele. O dirigente afirma que o setor quer mais crédito, mas dos bancos privados. Contudo, para isto, conforme Quintans, é preciso haver confiança na política econômica.


Sem guinada à esquerda

Empresários não apostam em uma guinada da política econômica para a esquerda com a volta do ex-presidente Lula a Brasília, agora como homem forte do governo, como deseja o PT.

Para eles, ao assumir a Casa Civil, Lula tentará, em um primeiro momento, reaproximar o governo e o partido com um discurso de retomada de crescimento.

Mas o rombo fiscal e a pressão do dólar só deixam espaço para "medidas cosméticas" na economia, dificultando manobras que já foram usadas por Dilma no passado, como baixar juros à força e obrigar os bancos públicos a ampliar significativamente o crédito para estimular o consumo.

Avançar por esse caminho pode jogar o país na rota da Venezuela com câmbio nas alturas e inflação descontrolada. Por seu histórico, Lula é considerado pelo setor privado um político "pragmático" e mais sensível a esse risco do que Dilma.

Nas últimas semanas, o PT e os movimentos sociais ligados ao partido pressionam o governo Dilma a abandonar a reforma da Previdência, vista como um ataque aos direitos do trabalhador, e a adotar medidas de estímulo à economia mesmo sem dinheiro.

A primeira tarefa do ministro Lula será política: refazer as pontes com o PMDB e derrotar o impeachment no Congresso.

Os empresários acreditam que suas chances são pequenas. Lula e sua família estão sendo investigados pela operação Lava Jato. Sua nomeação, que garante foro privilegiado, pode gerar forte reação contrária da opinião pública.
 
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