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quinta-feira, 10 de março de 2016

“Passo 12h na máquina lutando pela vida”, diz universitária que espera rim há três anos

PC- Se você é daqueles que fica irritado por esperar alguns minutos na fila do banco, do restaurante ou na parada do ônibus, não sabe o que é ficar por três anos esperando um rim e em contagem regressiva por um transplante que mudará uma vida. Essa é a via crucis da universitária Mariene Tranquilino, 28 anos. Assim como ela, outras 400 pessoas estão na fila pelo transplante na Paraíba, de acordo com levantamento feito pela Associação dos Pacientes Renais e Transplantados da Paraíba. Nesta quinta-feira (10) é o Dia Mundial do Rim.

A vida de Mariene começou a mudar dezembro de 2011. Ela começou a passar mal e vomitar. A universitária foi ao médico e uma série de exames foi solicitada, mas ela não sabia que um simples sumário de urina e hemograma poderiam mudar a vida. "Quando eu fiz os exames, os resultados deram alterados entre eles, a creatinina na urina. Fiz exames mais detalhados e ficou comprovado glomerulonefrite crônica nos rins”, falou, citando o problema que provoca lesão dos Glomérulos ou pequenos vasos sanguíneos nos rins.

Mais exames foram solicitados e o destino a levava para a hemodiálise. Em março de 2012, ela começou a fazer sessões em uma clínica particular conveniada com o Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, Mariene passa 12 horas por semana em uma máquina lutando contra a morte.

Ela é apenas um exemplo da luta de centenas de pessoas que, diariamente, busca por uma vida saudável. De acordo com Carlos Roberto Lucas, presidente da Associação, cerca de 400 pessoas esperam por um rim na Paraíba e cerca de 2.300 pacientes fazem hemodiálise. Lucas explicou que essa fila poderia diminuir se fosse feita na Paraíba a cirurgia de captação do rim de pessoas mortas.

“Infelizmente, a Paraíba não tem esse serviço, o que prejudica e só faz aumentar a fila de espera. Há um entrave financeiro entre os médicos e a Secretaria de Saúde do Estado que inviabiliza a cirurgia de captação do rim de pessoas mortas”, lamentou Carlos Lucas, que há três anos fez o transplante.

A demora pela espera do órgão na Paraíba fez a dona de casa Izabel Cosmo, 35 anos, a migrar para o estado vizinho. “Há três anos que estava na lista de espera na Paraíba, mas devido à demora e a não realização da captação do rim de pessoas que morreram fui para Pernambuco entrar na fila de espera. Isso é muito grave porque são vidas que estão em jogo”, lamentou.

Durante a reportagem, Izabel recebeu a informação que ela está concorrendo a um rim e iria se apresentar nesta quinta (10) no Hospital Português, em Recife (PE), para saber se tinha sido contemplada com o órgão. Exames já tinham sido feitos e foram favoráveis.

Sobre a cirurgia de captação dos órgãos doados no estado, a Secretaria de Saúde da Paraíba, através de nota, disse que em nenhum momento deixou de ser feita a captação por falta de equipe, visto que, caso haja alguma impossibilidade da equipe para captar, a Central de Transplante entra em contato com o Sistema Nacional de Transplante e este viabiliza, de acordo com a logística, uma equipe para vir fazer a captação.

De acordo com a Secretaria, a Paraíba tem equipes de fígado e rim credenciadas para proceder captação e transplante. Em relação ao pagamento dos procedimentos de captação e transplante, o Estado disse que é feito pelo hospital transplantador ao Ministério da Saúde e repassados para os serviços transplantadores através do Município. 

Serviço

Em João Pessoa, quatro locais são conveniados com o SUS para a realização da hemodiálise: Hospital São Vicente de Paulo, Amip, Unirim e Nefrusa. Há unidades nas cidades de Campina Grande, Patos, Guarabira, Cajazeiras e Monteiro.

No estado, apenas o Hospital Antônio Targino, em Campina Grande, está credenciado pelo governo do Estado para fazer transplantes de rins.
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