domingo, 23 de abril de 2017

Pais devem 'vigiar' redes sociais dos filhos, diz psicóloga paraibana sobre 'Baleia Azul'


Um jogo criminoso pode por fim à vida de crianças, adolescentes e jovens. O ‘Baleia Azul’ virou pauta de inquérito policial e, mais que um jogo juvenil, virou tormento para pais que veem mudanças nos filhos e não sabem como agir. A psicóloga paraibana Danielle Lucena esclareceu dúvidas, apontando os motivos pelos quais de jovens participam do desafio. 


A automutilação e isolamento são alguns dos males trazidos pela peleja, podendo resultar em suicídio. Questionada sobre o que leva um jovem a querer participar do jogo e se automutilar, a psicóloga aponta um sofrimento agudo já existente. 


“Não só a depressão causa o desejo de mutilação, mas outros transtornos, como o 'boderline'. É um estágio avançado da doença, com sofrimento, já com o desejo de suicídio. Muitas vezes os adolescentes se automutilam como se a dor física fosse amenizar a dor interna. Veja só: Se eu já tenho vontade de me suicidar e tem um jogo que me instiga ao que eu não tenho coragem de fazer, é um ótimo incentivo. É com esse pensamento que eles se rendem”, explicou.


Na oportunidade, a psicóloga trouxe informações para que pais e familiares conheçam detalhes de comportamentos que podem facilitar a identificação que estão participando ou em vias de participarem do jogo suicida.


“A depressão, em relação aos sintomas de um adulto, se manifesta de uma forma diferente nas crianças e nos adolescentes. Irritabilidade, isolamento, insônia, agressividade e queda do rendimento escolar podem ser sinais da doença nos jovens”, advertiu.


Danielle também apontou alguns dos fatores que contribuem para adolescentes 'caírem' no grupo. “A frase 'diga-me com quem andas que eu te direi quem és' não fica antiga. É importante observar o ciclo de amizade dos jovens. Não só isso, mas ficar atento sobre tudo na vida do filho. Estudos mostram que os adolescentes mais influenciáveis pelos amigos são aqueles que estão em conflito interno. Se a gente conseguir participar bem da vida deles, passar e mostrar valores, eles serão menos susceptíveis a esse tipo de influência”, comentou.


Ela ainda disse que o 'bullying' pode desenvolver ainda mais a problemática, sendo um “empurrão” para eles se renderem ao mundo da Baleia Azul. 


“O bullying pode sim influenciar a participação no jogo. É interessante que os pais reflitam sobre isso. Muitas vezes os filhos sofrem bullying e não dizem a ninguém. Sofrem só, e isso provoca uma irritação profunda”, alertou.


Alguns pais, ao tomarem conhecimento do jogo, atribuem à internet a responsabilidade pelo que acontece, mas a psicóloga rebate o pensamento e explica que existem outras saídas.


“A base do problema do jogo não é a internet. Perigos existem no mundo virtual e também no real. A questão é tentar fortalecer mais o vínculo dos pais com o monitoramento. A supervisão das redes sociais tem que existir. É um fator de proteção muito importante para que o filho faça o uso correto das mídias”, defendeu. 


Porém, os responsáveis relatam que os filhos sentem sua privacidade invadida. Perguntamos a Danielle como amenizar a situação, para que os adolescentes não sintam que a individualidade esteja ameaçada.


“Uma maneira de checar o uso pessoal do filho sem que ele ache uma invasão total de privacidade, é tendo, com ele, uma boa relação. É no dia a dia que você prova que não é uma questão de desconfiança, mas cuidado, proteção, vínculo. Por exemplo, perguntar o que ele gosta de assistir e chamar pra assistir junto. É interação, é uma troca”, disse ela.


A psicóloga complementa: “A sociedade em geral pode ajudar também com um olhar atento e responsável. Todo mundo tem um adolescente na família, uma criança, um amigo. É tentar se aproximar mais e, qualquer comportamento anormal, alertar aos pais”.


Associação Brasileira de Psiquiatria 


Danielle Lucena disse ser possível que, na hora do desafio, passe pela cabeça do jovem o desejo da morte, do suicídio, ao ponto de se sentir contemplado e forneceu dados de uma pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria sobre pensamento suicida.


“O pensamento suicida passa na mente de muitas pessoas. A Associação Brasileira de Psiquiatria diz que, para cada pessoa que tenta o suicídio, há dezessete pensando em como se suicidar. Entre os adolescentes isso acontece muito, e os pais, muitas vezes, não têm nem ideia que essa vontade venha à tona. É preciso atenção”, concluiu.


Em sua página no Facebook, a psicóloga Danielle Lucena alerta sobre o uso das mídias sociais e trata de outros assuntos importantes. 

www.lazarofarias.com.br
Com Portal Correio 
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