terça-feira, 10 de setembro de 2019

Adriano Galdino confirma racha no PSB

O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Adriano Galdino (PSB), não poupou palavras para explicitar, nesta terça-feira (10), a crise que afeta o PSB na Paraíba. Ele criticou o ex-governador Ricardo Coutinho e disse que toda a situação foi provocada por “culpa dele”.  Adriano teria recebido proposta de outros partidos, dos quais vai escolher um que o queira como presidente.

Segundo ele, a situação que ocorre atualmente no PSB da Paraíba é “constrangedora” e Ricardo Coutinho e o governador João Azevêdo vão seguir caminhos políticos diferentes. Para o presidente, ainda que os dois façam as pazes, ele não quer mais permanecer na legenda.

“Acontecimento que realmente nos constrange e nos deixa tristes porque o projeto do PSB melhorou a Paraíba, trouxe obras e qualidade de vida desenvolvimento, e infelizmente esse projeto agora está dividido, não existe mais união dentro do PSB, a confiança não existe mais de Ricardo para João e vice-versa, cada um vai marchar em caminhos políticos diferentes”.

Sobre convites para outros partidos, Galdino falou que recebeu propostas do PTB, PRB, Avante e Patriotas, mas que vai analisar com calma cada um e só aceitará aquele que o quiser como presidente da legenda. “Se eu pudesse sair, eu sairia ontem. O sentimento do grupo é de decepção”, afirmou, ao reforçar o desejo de deixar o PSB o mais rápido possível.

Ricardo, ‘grande líder’, mas ‘o culpado’
Adriano Galdino culpou Ricardo Coutinho pelos problemas no PSB e disse que ele deveria ter consultado outros membros do partido antes de aceitar a presidência da composição provisória, definida nessa segunda-feira (9) pela executiva nacional em Brasília. Apesar disso, ele afirmou que o ex-governador do estado é “o maior líder” e, por ter grande apoio popular, poderá concorrer à Prefeitura de João Pessoa em 2020.

“Ricardo Coutinho é nosso maior líder do PSB. Se ele quisesse ser presidente do PSB, ele deveria ter consultado todo mundo antes, mas da maneira como ele fez, humilhando amigos… Ricardo errou e muito e é responsável por essa crise. [Apesar disso], no ano que vem ele pode concorrer; não estou dizendo que é o melhor, mas que tem mais apoio popular”.

Além de Ricardo, sobrou ainda para o presidente do PSB nacional, Carlos Siqueira. “[Ele] errou mais ainda porque dissolveu o diretório sem sequer conversar com as partes envolvidas”, disse Adriano Galdino.

Debandada
Para Galdino, poderá haver uma ‘dança das cadeiras’ na ALPB, mas não deverá mudar muito a bancada da situação, que – segundo ele – deverá aumentar na Casa. “Pode haver dança das cadeiras, mas acho que será pouco, talvez duas deputadas”.

O presidente da ALPB também defendeu João Azevêdo. “Está se mostrando um líder de capacidade política muito forte é um respeitado técnico, com diálogo; ele conhece a Paraíba como ninguém. Ricardo fez muito, mas não fez só e uma das mãos mais importantes foi a de João Azevêdo, pensando e executando grandes obras do prefeito e governador Ricardo. Ele precisa ser respeitado. O PSB não respeitou o governador ele tem todo o direito de sair”, disse.

Conforme Galdino, na hora que João decidir o caminho político que irá seguir, vários prefeitos e secretários seguirão juntos. “Quando João se decidir, vão de 30 a 40 prefeitos, secretários, vai uma quantidade enorme de políticos junto”.

Problemas no partido
Os problemas no PSB começaram quando o Edvaldo Rosas foi destituído da presidência estadual, o que, segundo a executiva nacional, ocorreu por decisão dos diretorianos da Paraíba.

Nessa segunda (9), em meio a impasses e muito suspense sobre o racha, o PSB nacional convocou uma reunião em caráter de urgência, na qual decidiu a composição provisória da legenda no estado. Ricardo Coutinho foi definido como presidente por 120 dias, até que o partido decida a composição permanente.

A vice-presidência da legenda no estado fica com o governador João Azevêdo; o senador Veneziano Vital do Rêgo é o secretário-geral; a prefeita de Conde, Márcia Lucena, é a primeira secretária; o secretário executivo de Planejamento do Governo da Paraíba, Fábio Maia, é o secretário de Finanças; a secretária estadual de Mulheres do PSB na Paraíba, Valquíria Alencar de Sousa, é a secretária especial, assim como Edvaldo Rosas, que era o presidente da legenda.

Nos bastidores, a informação é que Rosas estaria insatisfeito com a composição e teria a deixado, mas ele não atendeu os telefonemas da produção de jornalismo da Rede Correio Sat nesta terça-feira (10) para confirmar.

As declarações de Adriano Galdino foram dadas por ele na manhã desta terça-feira (10), para jornalistas na ALPB.

João não aceita composição
O governador da Paraíba, João Azevêdo, recusou a vice-presidência do PSB oferecida pela executiva nacional que escolheu Ricardo para comandar de forma provisória a legenda na Paraíba.

Em carta enviada ao presidente nacional, Carlos Siqueira, João acusou Ricardo Coutinho e aliados de arquitetarem um golpe no partido ao buscarem assinaturas para renúncia coletiva na “calada da noite”.

João Azevêdo também deixou claro que não aceita as mudanças na legenda, o processo de intervenção e a destituição de Edvaldo Rosas da presidência.

O documento foi assinado por metade da bancada do PSB na Assembleia Legislativa, seis prefeitos e outros membros do partido no estado.
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