Diabéticos tipo 1 morrem mais por covid-19 que do tipo 2, diz estudo da NHS

Infectados pelo novo coronavírus que têm diabetes tipo 1 são mais propensos a morrer do que aqueles com diabetes tipo 2, de acordo com pesquisa do NHS, o sistema público de saúde do Reino Unido, divulgada hoje pelo site britânico The Guardian. 
O estudo confirma que a diabetes aumenta significativamente o risco de morte nos quadros de covid-19. Quase uma em cada três mortes por coronavírus entre pessoas hospitalizadas na Inglaterra durante a pandemia foi associada ao diabetes.
Pessoas com diabetes tipo 1 — a forma autoimune da doença — têm três vezes e meia mais chances de morrer se contraírem a covid-19 do que os não diabéticos. 
Os diabéticos tipo 2 — aqueles com a forma intimamente ligada a excesso de peso — têm duas vezes mais chances de morrer do que os não diabéticos. Nove em cada dez diabéticos têm o tipo 2 e muitos são obesos.
A idade, no entanto, é o maior fator de risco determinante para a morte entre os diabéticos com qualquer forma da doença que pegam a covid-19. 
Os menores de 40 anos têm um risco muito baixo em comparação com aqueles com mais de 40 anos e especialmente se comparados aos idosos, de acordo com novas descobertas coletadas pelo NHS na Inglaterra. 
Pessoas com diabetes tipo 1, que geralmente são diagnosticadas na infância, tendem a ser mais jovens do que aquelas com tipo 2.
Na semana passada, descobertas independentes entre si sugeriram que um quarto das mortes relacionadas ao coronavírus ocorreu entre diabéticos. As descobertas ainda não foram submetidas à revisão por pares, mas serão publicadas em breve em uma importante revista médica. 
O principal autor da pesquisa, Jonathan Valabhji, diretor clínico nacional do NHS na Inglaterra para diabetes e obesidade, diz que o estudo mais recente "mostra a extensão do risco de coronavírus para pessoas com diabetes e os diferentes riscos para aqueles com diabetes tipo 1 e tipo 2. 
Também mostra que níveis mais altos de glicose no sangue e obesidade aumentam ainda mais o risco nos dois tipos de diabetes", afirmou o professor ao Guardian. Jon Cohen, professor emérito de doenças infecciosas da escola de medicina de Brighton e Sussex, disse: 
"As infecções bacterianas são mais comuns e mais graves no diabetes. Geralmente, não se pensa que esse seja um problema com infecções virais, como o coronavírus, mas qualquer infecção grave pode causar problemas no controle da insulina, portanto isso provavelmente também contribuirá para o aumento da taxa de mortalidade em pacientes do tipo 1.".
"Portanto, pacientes diabéticos provavelmente não correm maior risco de pegar coronavírus, mas têm um risco maior de ficar gravemente doentes se o pegarem". O estudo também descobriu que a taxa de mortalidade geral dos diabéticos dobrou nos estágios iniciais da pandemia. 
Entre os diabéticos tipo 1 e tipo 2, homens, pessoas BAME [termo usado no Reino Unido para descrever não brancos, como negros e asiáticos], pessoas que vivem em comunidades mais pobres estavam em maior risco.
Nos dois tipos de pacientes, aqueles com doença renal subjacente ou insuficiência cardíaca e/ou que anteriormente sofreram um derrame também tiveram maior risco.

UOL


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