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Em discurso em Washington, Lula diz que seguirá ativo na política


Num discurso de improviso, dirigido a uma plateia de sindicalistas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro neste domingo (3), em Washington (EUA), que vai continuar ativo na política, além de defender enfaticamente o legado de seu governo.


"Eu falo todo dia para a minha mulher: Marisa, não espere que eu morra dentro de casa. Quando eu morrer um dia, vai ser num palanque, vai ser em algum lugar falando alguma coisa, brigando com alguém", disse Lula, que afirmou ainda ter torcido muito pela vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos EUA realizadas no fim do ano passado, observando que o presidente americano "não pode errar", porque, se isso ocorrer, um negro nunca mais vai comandar o país.



"O preconceito é muito forte", afirmou Lula, comparando a situação de Obama com a que enfrentou em 2002, ao assumir a presidência brasileira. "Eu tinha certeza de que não podia errar, porque, se errasse, um trabalhador nunca mais seria eleito presidente do Brasil."



Lula participou em Washington da abertura da conferência legislativa da United Auto Workers (UAW), o sindicato que representa trabalhadores da indústria automobilística, aerospacial e de máquinas agrícolas dos EUA, Canadá e Porto Rico. Falou por pouco mais de 56 minutos, num discurso em que rememorou a sua trajetória sindical e política.



"Eu nunca pensei em virar sindicalista, e virei presidente do sindicato; nunca pensei em ser político, e criei um partido; nunca pensei em ser candidato a vereador, a síndico do meu prédio e virei presidente. A luta fez com que eu desse passo atrás de passo", afirmou Lula. "Não há espaço na minha vida para desistir."



O ex-presidente não deu entrevista aos jornalistas brasileiros presentes ao evento. A expectativa é que nesta segunda-feira o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, envie ao Ministério Público de São Paulo a acusação do publicitário Marcos Valério de que Lula teria sido favorecido por recursos do mensalão. A denúncia foi feita em setembro do ano passado, em depoimento ao MP, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) já julgava o processo.

uol.com
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