SANTA MARIA, RS – Sob uma chuva fina e persistente, pais e parentes
de vítimas ligados ao movimento Santa Maria Do Luto à Luta pintaram na
madrugada desta segunda-feira 242 silhuetas de corpos na rua dos
Andradas, na rua onde ficava localizada a boate Kiss. O protesto iniciou
as homenagens às vítimas no primeiro aniversário da tragédia, que
causou a morte de 242 pessoas na madrugada de 27 de janeiro de 2013. Os
corpos, em diversas posições, foram pintados com tinta branca.
O
idealizador do protesto, Rondon de Castro, disse que a iniciativa visa a
chamar a atenção da comunidade para a quantidade de vítimas do incêndio
na boate. De acordo com Castro, que é professor da Universidade Federal
de Santa Maria (UFSM) e perdeu três alunos, as pinturas serão renovadas
periodicamente para que a cidade "sempre tenha ideia da quantidade de
vítimas".
Em frente à boate, em meio às silhuetas de corpos, o
movimento pintou um coração que, por volta de 1h30m, foi coberto com 242
velas rosas e brancas para lembrar as vítimas da tragédia. Cerca de 300
pessoas participaram da celebração, que reuniu muitos jovens com a cara
pinta pedindo justiça e com narizes de palhaço. Os manifestantes também
contaram em voz alta até 242. Emocionadas, algumas pessoas passaram mal
e tiveram de ser removidas de ambulância do local do ato.
Às 3h,
horário em que a Polícia presume que tenha iniciado o incêndio, uma
sirene foi acionada, seguida de um grito de "Acorda, Santa Maria". O
objetivo era despertar os moradores da região central para a falta de
punição aos responsáveis pelo crime.
- A dor é imensa para todas
as 242 famílias estraçalhadas pela tragédia. Mas, mesmo assim, o
Ministério Público pouco tem feito até agora para reparar nossos danos –
disse Flávio José da Silva, principal liderança do movimento.
Nesta
segunda-feira, a partir das 8h, os pais e parentes das vítimas farão
uma caminhada pelas ruas centrais de Santa Maria com destino à sede do
Ministério Público. A partir das 9h, haverá uma solenidade de plantio de
árvores na UFSM. Também será realizada a segunda exibição do
documentário "Janeiro 27", às 14h, no Centro Universitário Franciscano
(Unifra).
Durante todo o dia, haverá vigília na praça Saldanha
Marinho. As homenagens serão encerradas com um ato ecumênico marcado
para as 20h para a Basílica de Nossa Senhora da Medianeira.