O projeto que ajudou Leon é apenas um dos que estão disponíveis na internet. Outro, feito com ajuda brasileira, também começou com uma prótese.
Leon Mccarthy, de 13 anos, nasceu sem os dedos da mão esquerda. O pai
procurava uma prótese, mas esbarrava no preço, caro demais para a
família.
Até que um dia, na internet, encontrou a solução. Uma mão biônica para ser montada em casa usando uma impressora 3D.
“Eu baixei os arquivos e levei para um amigo que tinha uma impressora
3D e nós imprimimos os dedos. Construímos a primeira versão com papelão e
tinha parafusos saindo por todos os lados. Nós a chamávamos de 'a mão
de Frankenstein'”, conta Paul Mccarthy, pai de Leon.
“Foi a primeira versão. Nós trabalhamos juntos até fazer funcionar e ficar assim”, lembra.
“Eu lembro do meu filho dizendo 'ela funcionou, pai, nós conseguimos'.
Foi fantástico. Foi um dos momentos mais incríveis da minha vida”,
comemora Paul.
A mão biônica de Leon não tem nenhum componente lá muito complexo. O osso do braço é usado para movimentar os dedos.
“É bem simples. Eu só preciso pressionar com o punho e ela fecha”, explica Leon.
“Quando usei a primeira vez, estava muito animado, queria pegar um
monte de coisa. Passei 20 minutos só agarrando tudo que eu via pela
minha frente”, conta. “Antes eu era diferente. Todo mundo tinha dedos e
eu não. Agora, eu sou especial. Meus dedos são especiais”.
A prótese não é apenas funcional. Ela é barata. Se alguma coisa quebra,
é fácil reconstruir. O que é importante, porque Leon é um menino de13
anos e gosta de fazer tudo que os garotos da sua idade fazem.
“Eu tentei jogar futebol americano com ela. Eu peguei a bola e quebrei
todos os dedos. Mas eu peguei a bola e marquei o ponto”, conta.
“Ele quer usar a mão para jogar tênis. E ele quer outras coisas mais
malucas. Quer um laser para ficar igual ao Homem de Ferro”, conta o pai.
O projeto que ajudou Leon é apenas um dos que estão disponíveis na
internet. Outro, feito com ajuda brasileira, também começou com uma
prótese. Depois de um tempo, desenvolveu uma mão robótica. E agora quer
alçar voos mais altos.
“O objetivo é construir um robô completo. Um robô que também possa ser
usado como ajudante de alguém que tenha algum problema de locomoção, por
exemplo”.
Por enquanto, o robô tem apenas a cabeça, o tronco e os braços. O
próximo passo é construir o resto do corpo, para que ele possa andar e
realizar tarefas. O brasileiro Gustavo Brancante ajuda nessa missão.
Em São Paulo, ele trabalha no projeto. É dele o mérito de fazer o robô ser controlado pelo telefone. E pelos músculos do braço.
“Os eletrodos detectam os sinais musculares e enviam um sinal para mão
que faz o movimento equivalente”, explica Brancante. “Esse é um braço
que já poderia ser usado como uma prótese. Tem próteses que podem chegar
a até R$ 100 mil. Esta vai custar por volta de R$ 600. Ela é
extremamente barata porque tudo isso aqui foi feito em impressora 3D. Um
trabalho assim você tem que deixar aberto. O mundo inteiro pode
colaborar. Se você fechar, você vai ter que ter uma indústria gigante
por trás.
“Uma pessoa, na casa dela, como é que ela faz? Ela entra na internet e
baixa esse projeto no próprio computador?”, pergunta a repórter.
“Isso, ela baixa o projeto, as instruções todas. A dificuldade é como
montar um quebra cabeça. A única peça que eu vejo que é mais difícil de
conseguir hoje é a impressora 3D. A impressora 3D hoje no Brasil é e
difícil acesso e caro. Mas lá fora você consegue lá impressora 3D por
300 dólares”, responde. “Tem pessoas do mundo inteiro colaborando. Até
onde eu sei eu sou o único brasileiro”
“Quando você olha para mão, não é uma coisa pela qual eu paguei. É uma
coisa que nós construímos juntos. E isso nos faz ter muito mais orgulho e
aproveitarmos muito mais”, conta Paul.