Advogado da empresa, suspeita de ser pirâmide financeira, afirma que também não tem controle sobre pagamentos; segundo divulgadores, é possível receber no País
- iG São Paulo
Foto: Divulgação/Botafogo/Vitor Silva/SSPress
A Telexfree não
ter como impedir que pessoas entrem para o negócio a partir do Brasil,
onde as atividades estão suspensas por decisão judicial.
A empresa
também nega responsabilidade sobre eventuais pagamentos feitos pela
empresa aos divulgadores no País.
Acusada de ser uma pirâmide financeira, a Telexfree teve o seu braço brasileiro – a capixaba Ympactus Comercial – bloqueado por uma decisão judicial em 18 de junho de 2013. A medida impede novos cadastros e congela todas as contas da empresa e dos sócios administradores, Carlos Wanzeler e Carlos Costa.
Por determinação da juíza Thaís Khalil, da 2ª Vara Cível de Rio Branco (AC), o site em português www.telexfree.com, por onde são feito os registros, informa que o ingresso de novas pessoas na “rede Telexfree” estão proibidos. Mas basta mudar para as versões em inglês ou em espanhol para concluir o cadastramento, como o iG mostrou.
“[A Telexfree]
não aceita cadastramento de divulgadores no Brasil. Nós somos bem
claros em relação a isso”, diz Andrade. “Agora, se você você for no site
(...), colocar dados americanos, colocar um cartão que vale nos Estados
Unidos, eu não tenho como dizer quem você não é. Não tenho como
investigar quem você não é”, afirma.
Pagamentos no Brasil
O
sistema de pagamentos usado pela empresa, chamado eWallet, também
permite a indicação do País como local de residência. Os cartões de
débito usados para os saques, segundo divulgadores, podem ser enviados
normalmente para o Brasil e usados para saques em ao menos sete bancos
brasileiros.
Segundo Andrade, a Telexfree Internacional não tem com controlar essas transferências.
"Os
pagamentos são feitos em cartões de crédito internacionais. Eu não
tenho como, não sei qual o destino desse pagamento", afirma o advogado.
“Eu, Telexfree, não tenho controle sobre a emissão do cartão de débito [da eWallet]. Quem tem controle sobre a remessa dele para algum lugar é a empresa operadora do cartão."
Andrade
não reconhece que a Telexfree ainda continue a fazer cadastros ou
pagamentos no Brasil. Afirma, também, não saber se esses novos
investidores do País podem acabar tendo os investimentos bloqueados,
como aconteceu com quem entrou antes da decisão de junho, mas argumenta
que a empresa continuará “pagando em dia todo mundo que trabalhar para a
gente.”
Cadastro no E-Wallet da Telexfree: sistema permite escolha do Brasil como país de residência do divulgador
Ympactus não é Telexfree
Os
representantes do negócio têm tentado dissociar a Ympactus – alvo da
ação na Justiça acreana – do que é chamado como Telexfree Internacional e
que, recentemente, anunciou patrocínio ao Botafogo. A sede da empresa, segundo Andrade, fica em Boston.
Nessa
cidade, entretanto, fica a Telexfree, INC., que é detida pelos mesmos
donos da Ympactus: Carlos Wanzeler e James Merrill. Wanzeler teve os
bens bloqueados e, junto com Merrill e Carlos Costa, é alvo da ação
civil pública que pede o fim do negócio e uso dos recursos dos sócios
para quitar as dívdias com divulgadores.
Segundo
Andrade, houve um rompimento do contrato entre a Telexfree americana e a
Ympactus. Recentemente, o endereço do braço brasileiro, que constava do
site até, pelo menos, 5 de dezembro de 2013, foi excluído.
"A Ympactus não representa mais a Telexfree no Brasil", diz.