Uma das pacientes prejudicadas pela paralisação, a técnica em enfermagem Anna Nery Vitorino de Araújo, 41 anos, que desde o ano passado luta contra um câncer de mama, conta que precisou voltar a fazer quimioterapia por conta do atraso na realização de sua cirurgia.
“Meu tumor, que já era avançado, cresceu ainda mais. Agora precisei voltar para a quimioterapia e não sei quando poderei ser cirurgiada. Eles não poderiam ter se dado ao luxo de me fazerem esperar. Muitas cirurgias de urgência foram desmarcadas, inclusive a minha, que não era eletiva”, explicou a funcionária pública, que já passou por oito sessões de quimioterapia e, agora, com o diagnóstico de aumento do tumor, segue sem nenhuma previsão de quando poderá se submeter a cirurgia.
Já o advogado Floriano Brito Júnior, que representa os médicos do Hospital da Fundação Assistencial da Paraíba, reafirmou que todos os casos emergenciais foram resolvidos e que somente as cirurgias eletivas foram deixadas para a semana seguinte. Segundo ele, a paralisação foi realizada por 22 médicos, entre os dias 1 e 5 de setembro, para cobrar reajuste na tabela dos procedimentos pagos pelo SUS, melhorias nas condições físicas do setor oncológico, aquisição de um novo tomógrafo, além do pagamento das glosas, que correspondem ao não repasse dos valores referentes aos atendimentos realizados por profissionais médicos. Até agora, segundo o advogado, nenhuma solicitação foi atendida.
O que diz a FAP
Sobre as cirurgias, o presidente da FAP, Hélder Macedo, disse que a instituição não é responsável pela agenda dos médicos. “O fato de os procedimentos não estarem sendo conduzidos dentro da normalidade é decorrente da falta de estímulo dos profissionais, que não estão encorajados a marcarem novas cirurgias em virtude da falta de recursos, já que toda a verba disponibilizada para o setor oncológico neste ano já foi utilizada”, esclareceu.
A respeito das reivindicações dos médicos, o presidente informou que só o Ministério da Saúde pode aumentar o valor do teto dos serviços realizados pelo hospital, e que este ainda não se manifestou em relação ao problema.
Enquanto isso, os usuários do setor de Oncologia que fazem tratamento na FAP continuam esperando uma resposta do Ministério da Saúde e um encaminhamento para seus casos.
“Não sei mais o que fazer. Estão querendo me transferir para o Hospital Laureano, em João Pessoa. Meu problema só se complica. Não tenho condições financeiras de arcar com os custos do tratamento. É tudo muito caro e o tempo é cada vez mais curto. Não é justo que em decorrência dos problemas da FAP eu pague com a vida”, desabafou Anna.
jp