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CÁSSIO, RICARDO E O JOGO DE RESTA "UM"

Outro dia conversando com um amigo pouco letrado mas vivido na política partidária, escutei dele algo que achei interessante "quando vejo dois homens como Cássio e Ricardo brigando, eu fico pensando que até as pessoas mais sabidas em algum momento fazem besteira" depois ele acrescentou "rapaz o negócio é a pessoa cuidar para não errar também, porque se até dois homens desse nível erram".

De fato a reflexão carregada de espanto, de admiração, feita pelo meu amigo, definem bem a situação política da Paraíba, a qual eu chamo nessa coluna de CÁSSIO, RICARDO E O JOGO DE RESTA UM. 

"Resta um" é um quebra-cabeça no qual só exite vencedor se um dos jogadores conseguir deixar apenas uma peça no tabuleiro. Compreendeu? 

Quando Cássio e Ricardo começaram uma pontual aliança, o jogo era mais dinâmico, na verdade era assim: CÁSSIO, RICARDO E O JOGO DE RESTAM DOIS, um governador e um senador, o que foi ótimo para ambos. 

Mas como disse meu amigo lá no inicio, os sabidos também fazem besteiras, Cássio e Ricardo resolveram partir para o RESTA UM. Ele, Cássio, poderia continuar senador, posição confortável, cargo importante e altamente remunerado, Ricardo seria reeleito em 2014 com certa facilidade e novamente restariam dois.

No futuro, em 2018, Cássio poderia ser governador e deixar a vaga de senador para Ricardo, e novamente restariam dois. Percebeu? 

Mas os dois fizeram besteiras, Ricardo não aguentou, teve que ficar gritando durante três anos que o governo dele foi o melhor dos últimos 10 anos, dos quais 6 pertenceram a Cássio que foi padrinho político dele e por sua vez ficou com o orgulho Cunha Lima ferido. 

Ricardo achando que a força do seu trabalho o tornaria indestrutível, foi querendo se livrar do padrinho, a cria se voltando contra o criador, que na verdade também achou muito bom, Cássio foi construindo os motivos para um rompimento que provavelmente ia acontecer de todo jeito, mas Ricardo movido pela vaidade ajudou na construção desses motivos.

Cássio ia romper de toda forma porque sabia que depois de oito anos de trabalho intenso de Ricardo, ninguém ia lembra-lo mais em 2018, ele ia deixar de ser padrinho e precisaria de apadrinhamento para ser governador outra vez, o que certamente Ricardo não faria.    

Os dois, querendo se livrar um do outro, criaram o jogo do RESTA UM, a besteira dos sabidos, aquela que meu amigo falou. Bom, agora não dá mais para voltar atras, dia 26 de outubro depois da apuração dos votos, restará apenas um na Paraíba. 

Se Ricardo perder é fim de carreira, vai ficar dois anos sem mandato, entrar para a história como um governador que trabalhou e perdeu as eleições e rezar para alguém lembrar dele em 2016 nas eleições municipais para quem sabe disputar a prefeitura da Capital que recentemente foi perdida para o PT.

Se Cássio for o derrotado, volta para o senado, entra para a história como o cassado que tentou ser governador de novo e o povo não deixou, vive os últimos dias de glória pela metade e provavelmente se aposenta da pior forma, perdendo a eleição e o brilho de ser um Cunha Lima. 

Uma coisa é certa, dia 26 de outubro, por volta das 20h, um deles vai saber que teria sido bem melhor se restassem dois. Provavelmente vai lamentar a besteira. E eu, assim como o meu amigo que inspirou meu texto, vou ter muito cuidado para não fazer besteira também, e vou torcer para que depois de tudo a Paraíba fique bem. 

Lázaro Farias       
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