Candidata à reeleição pelo PT, a presidente Dilma Rousseff respondeu nesta segunda-feira ao comercial divulgado pelo candidato Aécio Neves (PSDB), com áudios em que ela elogia o ex-governador mineiro, e negou que sua campanha esteja fazendo uso eleitoreiro da crise de abastecimento de água em São Paulo. A propaganda eleitoral petista diz que o eleitor paulista foi enganado durante o primeiro turno e votou pela reeleição do tucano Geraldo Alckmin sem saber da gravidade do desabastecimento de água.
Sobre os elogios a Aécio, feitos enquanto ele ainda era governador (2003-2010), a presidente disse que tinha sido “generosa”.
— Eu era generosa. Muito generosa. Eu era excessivamente generosa. Eu fiquei bastante crítica porque a gente conhece as pessoas, acaba conhecendo, infelizmente — rebateu a petista.
Dilma disse estranhar que o PSDB responsabilize a União pela crise da água e afirmou que, em fevereiro, havia alertado ao governador Alckmin sobre estudos que apontavam para a seca que atravessa o país este ano. Disse ainda que, além de oferecer ajuda, colaborou para o entendimento entre São Paulo e Rio de Janeiro sobre o desvio de águas do Paraíba do Sul, que abastece os dois estados, para irrigar o Sistema Cantareira, que está seco. Ela afirmou ainda que sugeriu que São Paulo fizesse obras emergenciais, além de estruturais, o que teria sido recusado pelo governador.
— Qualquer tentativa de transferir responsabilidade para o governo federal, nós acolheremos com grande estranheza. Não acredito que as estruturas do governo do estado podem atribuir a nós a responsabilidade ou qualquer omissão de ajuda — disse a presidente, que informou que a Parceria Público Privada (PPP) que fará a obra de transposição das águas do Paraíba do Sul deverá obter empréstimo subsidiado dos bancos federais da ordem de R$ 1,8 bilhão, sendo que todo o serviço custará R$ 2,2 bilhões.
A presidente se mostrou incomodada com a acusação de uso eleitoral da crise de água e disse que afirmar que o eleitor paulista foi ludibriado era uma "consequência visível" da eleição.
— Isso é uma consequência visível. E tem uma parte da responsabilidade que é de vocês (imprensa). Porque vocês não vão me dizer que piorou a situação no domingo da eleição para segunda-feira. Descobriram que havia falta d'água de domingo para segunda? — questionou a presidente afirmando:
— Isso chama-se uso eleitoreiro (sobre o governo paulista não divulgar a gravidade da crise durante as eleições).
Dilma rebateu ainda a crítica de Alckmin de que um dos problemas de São Paulo seria que a presidente havia prometido, quatro anos atrás, que haveria redução de tributos para as empresas de saneamento.
— Isso não faz uma vírgula na questão da água. Porque, se fizesse, o Ceará, o Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe estariam com problema de abastecimento de água e não estão. Eu acho que o governador estava esperando que chovesse.
A presidente criticou ainda a afirmação do economista Armínio Fraga, indicado para um virtual ministério da Fazenda de Aécio, sobre acabar com o programa de swap cambial caso o tucano seja eleito presidente.
— Não acho que o Armínio Fraga seja uma pessoa extremamente credenciada para falar de câmbio, se você for ver a retrospectiva dele. Tenho clareza que teve um momento que o Brasil saiu de um por um, ou seja, um dólar por um real, para um dólar para quatro real. Isso levou a uma situação muito difícil para as empresas.
A presidente disse ainda que, quando o então presidente Lula, em 2009, disse que a crise internacional era uma "marolinha", não havia informação suficiente para determinar o alcance da crise. Em vista dessa crise, completou Dilma, o "dólar está tranquilo" no Brasil.
— Não acho que o Arminio Fraga seja uma pessoa extremamente credenciada para falar de câmbio, se você for ver a retrospectiva dele. Tenho clareza que teve um momento que o Brasil saiu de um por um, ou seja, um dólar por um real, para um dólar para quatro real. Isso levou a uma situação muito difícil para as empresas.
A presidente disse ainda que, quando o então presidente Lula, em 2009, disse que a crise internacional era uma "marolinha", não havia informação suficiente para determinar o alcance da crise. Em vista dessa crise, completou Dilma, o "dólar está tranquilo" no Brasil.
