Quando ligo a TV ou o
rádio e me deparo com a enfadonha e até certo ponto fictícia propaganda
eleitoral do PT e do PSDB, sinto uma indigestão democrática que me agonia o
peito brasileiro, não aguento ver e ouvir os dois candidatos dando a entender
que o Brasil começou com a partir deles, cada um com sua individualidade e
argumentos promíscuos.
Analisando a passagem
governamental que PSDB e PT tiveram no Brasil, o que vamos perceber facilmente
é que o projeto do primeiro foi indispensável ao segundo.
O PSDB encontrou um
Brasil pós-ditadura militar apresentando instituições fragilizadas, inflação de
mais de 1000%, fome e índices alarmantes de desigualdades sociais, além de
baixa qualidade na educação e na saúde.
A missão do sociólogo
Fernando Henrique Cardoso quando assumiu a presidência da república era nada
fácil, recuperar a democracia e gerar crescimento econômico.
Os tucanos cumpriram
um papel fundamental para o Brasil que temos hoje, concluíram o processo democrático
e criaram a mais importante política de estado do Brasil, o plano real, que
possibilitou o crédito, controle da inflação e consumo. Nos oito anos do governo
FHC foram criadas as estruturas para o Brasil do futuro.
Quando o PT assumiu o
governo brasileiro estava tudo bem diferente, mesmo com inflação acelerada por
conta das indefinições do ano eleitoral ela não passava de 12%, número
preocupante, porém bem menor dos que os mais de 1000% verificados no passado.
Luiz Inácio Lula da
Silva também tinha uma importante tarefa pela frente, aproveitar os avanços
conquistados pelo governo anterior e aperfeiçoar as políticas de crescimento econômico,
exatamente o que fez, manteve o plano real, segurou a inflação e tirou o melhor
proveito de um Brasil razoavelmente equilibrado.
O Governo Ptista
ampliou os programas sociais criados pelo governo do PSDB reunindo-os num mesmo
pacote. O bolsa família surgia como sendo fruto do bolsa escola e outros
segmentos, saltando de 5 milhões de famílias beneficiadas pelos governos tucanos
para quase 30 milhões hoje, uma ação importante para aproximar os brasileiros.
A estabilidade econômica
também garantiu outros avanços que tocaram especialmente a educação e a criação
de empregos, tendo a saúde sido desprezada pelos dois projetos.
Como podemos ver PT e
PSDB não exerceram milagres, uma política chamada plano real foi bem sucedida e
a partir daí o restante aconteceu através dos governos que vieram depois de
Itamar Franco, criador da nova moeda.
Seria menos agonizante
para a democracia brasileira se Aécio e Dilma reconhecem os avanços que os dois
projetos ofereceram ao povo brasileiro, se os dois resolvessem encarar os
avanços e reconhecer as limitações que tiveram assumindo o compromisso de falar
do futuro, das novas ideias e do combate a corrupção, herança maldita produzida
também pelo PSDB e pelo PT.
Os desafios são
enormes, dizer que Aécio fumou maconha, que a Dilma roubava bancos e outras
bobagens do tipo, não vai ajudar a construir o Brasil que queremos.
Integrar as fileiras
dos eleitores alienados, imbecilizados pelos discursos das duas candidaturas
também não acrescenta nada, o lado do povo não tem que ser o do PT ou do PSDB,
o lado do povo tem que ser o das reformas que esse Brasil precisa e ninguém
esta se comprometendo a fazer.
Tem tanta gente
perdendo tempo nas redes sociais brigando, trocando agressões, perdendo tempo
de estar trocando ideias importantes para definição do voto, esse ato tão
importante que nós só teremos oportunidade mais uma vez daqui a quatro anos. Acorda Brasil, vota
livre e consciente.