O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), publicou neste fim de semana um artigo de opinião na Folha de S.Paulo em defesa da proposta que reduz a jornada de trabalho no Brasil e extingue a escala 6x1. No texto, o parlamentar paraibano afirma que a medida representa uma transformação social e defende que desenvolvimento econômico e qualidade de vida dos trabalhadores devem caminhar juntos.
Segundo Hugo, mais de 15 milhões de brasileiros vivem atualmente sob a escala 6x1, modelo que prevê apenas um dia de descanso semanal. Para o deputado, a realidade afeta diretamente o convívio familiar, o lazer, os estudos e até os cuidados com a saúde dos trabalhadores.
“O debate vai muito além da quantidade de horas trabalhadas. Estamos discutindo o direito ao tempo de vida, porque existe uma diferença entre viver e apenas sobreviver”, escreveu.
De acordo com o presidente da Câmara, a discussão foi construída após uma ampla rodada de consultas que ouviu trabalhadores, especialistas, representantes da sociedade civil e integrantes do setor produtivo em diferentes regiões do país.
Hugo destacou que o principal desafio foi encontrar um equilíbrio entre a proteção aos trabalhadores e a realidade das empresas, especialmente dos pequenos negócios, responsáveis por grande parte dos empregos formais do Brasil.
Proposta prevê jornada de 40 horas e dois dias de descanso
No artigo, o parlamentar explica que a proposta aprovada pela Câmara está fundamentada em três pilares: redução da jornada para 40 horas semanais, garantia de dois dias de descanso e manutenção integral dos salários.
Hugo Motta também defende que a implementação ocorra de forma gradual, permitindo adaptação de empresas, trabalhadores e consumidores.
Ao abordar críticas sobre possíveis impactos econômicos, o deputado argumenta que a produtividade não depende exclusivamente do número de horas trabalhadas.
Segundo ele, trabalhadores mais descansados tendem a apresentar melhor desempenho, menor índice de adoecimento e redução da rotatividade nos empregos.
“Uma economia forte também depende de trabalhadores saudáveis, motivados e com qualidade de vida”, ressaltou.
Hugo compara mudança a avanços históricos
Outro ponto destacado pelo presidente da Câmara foi o crescimento dos casos de adoecimento físico e mental relacionados ao trabalho. Para ele, a redução da jornada também deve ser encarada como uma medida de saúde pública.
No texto, Hugo Motta compara a proposta a outras mudanças históricas que enfrentaram resistência antes de serem consolidadas, como a criação da Carteira de Trabalho, do 13º salário e o próprio fim da escravidão.
“O que entregamos ao país é mais do que uma mudança nas relações de trabalho. É uma reforma para a vida das pessoas”, concluiu o parlamentar.
