O exame pericial realizado para confirmar a idade do adolescente suspeito de matar Washington Rodrigo, de 33 anos, em um hotel de João Pessoa, não conseguiu determinar se ele já atingiu a maioridade. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (29) pelo perito oficial Flávio Fabres.
Segundo o perito, a análise utilizou características da arcada dentária para estimar a idade do investigado. No entanto, devido à fase de transição entre a adolescência e a vida adulta, não foi possível obter um resultado conclusivo.
"Como ele está na transição da maioridade, infelizmente, com o exame não foi possível estabelecer a maioridade do indivíduo. O exame restou inconclusivo", explicou Flávio Fabres.
Mesmo sem a confirmação da idade, o suspeito continuará sendo tratado como menor de idade até que a documentação oficial seja analisada. A Polícia Civil informou que certidões, registros civis e outros documentos apresentados pela família serão encaminhados à Justiça e ao Ministério Público para esclarecer a idade do adolescente.
De acordo com o delegado Diego Garcia, responsável pelo caso, o jovem permanece custodiado na ala destinada a adolescentes da carceragem da Polícia Civil, em João Pessoa, onde aguardará audiência de custódia perante a Vara da Infância e Juventude.
Suspeito foi transferido para João Pessoa
O adolescente chegou a João Pessoa na terça-feira (28), após se apresentar espontaneamente à 3ª Delegacia Regional de Caicó, no Rio Grande do Norte, acompanhado de um advogado.
Durante o depoimento, ele confessou o crime e afirmou que conheceu Washington Rodrigo por meio de um site de relacionamentos. Segundo a versão apresentada, os dois se encontraram em um hotel da capital paraibana.
O investigado alegou que se sentiu ameaçado ao acreditar que a vítima teria registrado imagens do encontro íntimo. Ainda conforme o relato, ele utilizou uma pistola de airsoft para obrigar Washington a entregar o celular e verificar se havia fotografias ou mensagens comprometedoras.
Na sequência, o adolescente afirmou que utilizou o cabo do secador de cabelo do quarto para estrangular a vítima. Segundo ele, a intenção era apenas deixá-la desacordada para conseguir fugir do local.
Após o crime, o suspeito ainda tentou deixar o hotel dirigindo o carro da vítima, mas não conseguiu e saiu do estabelecimento a pé. De acordo com a Polícia Civil, ele seguiu a rotina normalmente e chegou a fazer publicações nas redes sociais após o homicídio.
Durante as investigações, os policiais apreenderam uma pistola de airsoft, algemas e uma luva cirúrgica encontrada no quarto. Segundo os investigadores, esses objetos foram importantes para fortalecer as provas reunidas no inquérito.
Adolescente já respondeu por outros atos infracionais no RN
A Polícia Civil informou que o adolescente possui pelo menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte por atos infracionais.
Entre os registros estão ocorrências análogas a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal. Os investigadores também informaram que ele já foi internado anteriormente em uma unidade socioeducativa destinada a adolescentes em conflito com a lei.
A apuração do caso continua, enquanto a Justiça analisa a documentação que poderá confirmar oficialmente a idade do suspeito e definir os próximos passos do processo.

