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Mais de 40 cidades têm risco de racionamento

Os açudes de Coremas, Mãe D'Água e Epitácio Pessoa (Boqueirão), na Paraíba, estão sofrendo com a evaporação e podem ficar abaixo do limite mínimo da capacidade até o primeiro semestre do ano que vem. Com isso, mais de 40 municípios abastecidos por esses mananciais podem enfrentar racionamento. A análise da situação dos três reservatórios e de outros açudes do Estado que integram um relatório da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) foi apresentada ontem, na capital, à Secretaria Estadual de Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia.

As simulações para mostrar a situação dos reservatórios da Paraíba foram apresentadas pelos técnicos da Aesa considerando a hipótese de não ocorrer chuvas, ou se houver, com precipitações inferiores a 47 milímetros, nas regiões do Sertão e Cariri, até o próximo verão.
De acordo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia, esse volume é esperado para novembro e dezembro e corresponde à média histórica. No entanto, não é uma chuva significativa que possa contribuir para reforçar as reservas dos açudes.

“O período de chuvas do Semiárido paraibano é nos meses de janeiro, fevereiro e março. Se não chover nesse período ou se as chuvas ficarem abaixo da média histórica, até o final do ano poderá ser seco”, explicou o meteorologista Ednaldo Rodrigues.

Conforme os dados repassados pela Aesa, o açude Boqueirão é o que apresenta a situação mais preocupante e pode cair de 180 milhões de metros cúbicos, registrado em setembro deste ano, para menos de 150 milhões já a partir de janeiro de 2014. Somente este açude é responsável pelo abastecimento de mais de 20 municípios, incluindo Campina Grande.

Já o açude Coremas, que abastece 22 cidades paraibanas e ainda oito municípios do Rio Grande do Norte, pode cair de 250 milhões de metros cúbicos para aproximadamente 160 milhões em janeiro do ano que vem. A situação pode ser ainda mais grave se o reservatório atingir o “volume morto”, que é de 50 milhões ou menos. O açude Mãe D'Água poderá atingir o volume de 100 milhões de metros cúbicos em agosto do ano que vem.

Ainda segundo o relatório da Aesa, a perda de água do açude Coremas tem o agravante da evaporação. No período de um ao dia 6 deste mês, o açude perdeu 9,30  metros cúbicos por segundo  em decorrência do fenômeno. No caso do açude Coremas, o presidente da Aesa, João Vicente, explicou que o volume do açude também diminui devido a quantidade de municípios que o reservatório atende.
“Estamos diante de um quadro de estiagem e a evaporação é uma faceta. No caso do Coremas, a água é compartilhada também com municípios do Rio Grande do Norte. Essa questão da administração da água do açude também está sendo discutida com a Agência Nacional de Águas (ANA)”, disse João Vicente.

O secretário de Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia do Estado, João Azevedo, admitiu que a situação dos principais açudes da Paraíba é delicada. Segundo ele, a partir das previsões apresentadas pela Aesa, será traçado um planejamento para gerir melhor os recursos e prevenir colapsos.

“Esse levantamento de todas as barragens e açudes é para que possamos montar um plano para se antecipar um problema que poderá vir. No momento, nós temos cidades que estão em colapso de abastecimento, outras em racionamento e temos que manter o controle real dessa situação. A região do Espinharas é uma das localidades onde todos os açudes estão completamente secos. Isso é muito preocupante. A situação da barragem Engenheiro Ávidos, que abastece Cajazeiras, nos preocupa também”, declarou o secretário.

ABASTECIMENTO DE ÁGUA

Ainda de acordo com o secretário João Azevedo, os municípios abastecidos pelos açudes Boqueirão e barragem Coremas/Mãe D'Água podem enfrentar racionamento, em caso de estiagem prolongada. Para amenizar a situação e antecipar problemas causados pela falta de água, está previsto a perfuração de mais 40 poços na região até o início do ano que vem.

“Na barragem Coremas/Mãe D'Água, temos ainda um bom volume, mas precisamos fazer um controle até para poder chegar até o próximo inverno e já há recomendações, naquela região, para que as pessoas poupem água”, explicou João Azevedo.

O secretário disse ainda que a possibilidade de racionamento da água também atingirá os agricultores. Para isto, será desenvolvido um calendário de irrigação, em que a água destinada ao campo será disponibilizada também em sistema de racionamento.

“Na região abastecida pelo Coremas, por exemplo, determinado município será irrigado uma vez na semana, de manhã e à noite. Isso será para que a gente possa fazer com que a água do Coremas dure mais tempo. Esse sistema será fiscalizado pela ANA e pela Aesa. Esperamos que em 2014 possamos ter chuvas para reabastecer nossos estoques”, finalizou.
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