Em tom
rígido, a presidente Dilma Rousseff levou nesta terça-feira à 68ª Assembleia
Geral da ONU, em Nova York, as críticas do país ao governo americano, acusado
de espionar inclusive as comunicações pessoais da presidente brasileira.
Na
plenária, Dilma qualificou o programa de inteligência dos EUA de "uma
grave violação dos direitos humanos e das liberdades civis; de invasão e
captura de informações sigilosas relativas a atividades empresariais e,
sobretudo, de desrespeito à soberania nacional".
Dilma
afirmou que as denúncias causaram "indignação e repúdio" e que foram
"ainda mais graves" no Brasil, "pois aparecemos como alvo dessa
intrusão". Disse ainda que "governos e sociedades amigos, que buscam
consolidar uma parceria efetivamente estratégica, como é o nosso caso, não
podem permitir que ações ilegais, recorrentes, tenham curso como se fossem
normais".
"Elas
são inadmissíveis", completou.
Conforme
a brasileira, o Brasil "fez saber ao governo norte-americano nosso
protesto, exigindo explicações, desculpas e garantias de que tais procedimentos
não se repetirão".
Há uma
semana, a presidente cancelou a visita de Estado que faria ao colega Barack
Obama em outubro que vem, em Washington, por "falta de apuração"
sobre as denúncias de que a inteligência americana espionou as comunicações
pessoais da brasileira, além da Petrobras.
Para
ela, "imiscuir-se dessa forma na vida de outros países fere o direito
internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre elas,
sobretudo, entre nações amigas".
Dilma
também foi extraordinariamente dura ao rebater frontalmente o argumento
americano de que a espionagem visa combater o terrorismo e, portanto, proteger
cidadãos não só dos EUA como de todo o mundo.
Para
Dilma, o argumento "não se sustenta". "Jamais pode uma soberania
firmar-se em detrimento de outra. Jamais pode o direito à segurança dos
cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos
fundamentais dos cidadãos de outro país."
"O
Brasil, senhor presidente [da Assembleia Geral], sabe proteger-se. Repudia,
combate e não dá abrigo a grupos terroristas", disse.
O
Brasil faz o discurso de abertura da reunião anual desde que o embaixador
Oswaldo Aranha iniciou a tradição, em 1947.