Em oito meses de 2013 foi registrado o quantitativo mais baixo desde 2004.
Fraco desempenho da geração de empregos estadual é também encontrado no comércio
O saldo de novos
empregos gerados na Paraíba pode encerrar o ano com o pior desempenho
da década. Dados do último Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) mostram que nos primeiros oito meses de 2013 foram registrados
tímidos 1,648 mil postos de trabalho, quantitativo mais baixo desde
2004, quando no mesmo período foram registrados 9,629 mil.
Para se igualar aos 12 meses de 2008,
ano de pior desempenho em empregos (9,895 mil), a Paraíba terá que gerar
pelo menos 8,247 mil postos de trabalho, margem difícil de ser
alcançada, segundo especialistas na área, sobretudo no atual cenário
econômico do país, quando importantes setores geradores de empregos,
como serviços e comércio, têm desempenho muito aquém do esperado.
Este possível cenário se torna mais
evidente quando constatado que diversos setores vêm apresentando queda
no rendimento de novos empregos, segundo explicou o supervisor técnico
do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
da Paraíba (Dieese), Renato Silva.
“Nos últimos meses, registramos que
setores importantes têm fraco desempenho na oferta de novos postos de
trabalho e crescimento no volume de desligamentos. Por essa razão
acredito que o saldo de empregos este ano será bem menor que anos
anteriores”.
O setor de serviços, considerado o mais
importante em geração de empregos na Paraíba, teve, até agosto deste
ano, 5,479 mil vagas contra 7,042 mil no mesmo período do ano passado.
A cadeia produtiva da construção civil é
a principal responsável por este cenário, segundo Renato Silva,
sobretudo quando se percebe arrefecimento no volume de empreendimentos.
“A construção deixou de gerar cerca de seis mil empregos este ano. Isso
tem forte impacto no saldo de postos gerados. Como é um setor de alta
rotatividade, acreditamos que isso tenha acontecido pelas demissões e
não contratações devido ao término das obras. Quando acabam as
construções, as empresas desligam seus funcionários”, aponta Renato
Silva.
QUEDAS NO COMÉRCIO
O fraco desempenho da geração de
empregos estadual é também encontrado no comércio, um dos setores mais
fortes na Paraíba e no último trimestre do ano. Contudo, nos oito meses
deste ano, foram gerados apenas 650 postos de trabalho no setor,
enquanto ano passado haviam sido registrados 1,8 mil, queda de 63%.
De acordo com o presidente da Federação
das Câmaras de Dirigentes Lojistas da Paraíba (FCDL-PB), Artur Melo de
Almeida, as perspectivas para os próximos meses não são animadoras.
“O número de empregos será menor do que
esperávamos, sem dúvidas menor que o registrado nos anos anteriores.
Costumo dizer que o saldo de empregos no comércio é consequência do
ambiente econômico do país, ora favorável, ora pessimista. O comércio é a
estratificação desse ambiente. Com a timidez de nossa atividade
econômica, é esperada uma queda no saldo de empregos para este ano”,
disse o presidente da FCDL-PB.
Aliado ao fraco crescimento econômico,
que diminui o poder de compra da população e, consequentemente, o volume
de compras no comércio, os comerciantes paraibanos enfrentam gargalos
específicos ao Estado, segundo explicou Artur Melo de Almeida. “O
pequeno e médio empresário são os que mais sofrem. João Pessoa é uma das
cidades com maior custo de empregabilidade. Aqui se paga um dos
domingos e feriados mais caros do país (R$ 30,00), à frente de cidades
como Recife, que tem o desenvolvimento econômico muito maior que o
nosso”, disse.
O presidente da FCDL-PB apontou ainda os
gastos diários do empresário, que nem sempre têm faturamento favorável
para arcar com os custos. “Além do domingo, o comerciante tem que dar um
dia de folga ao funcionário que trabalha nesses dias. Ele também tem
que pagar a todo funcionário um vale alimentação por dia (R$ 4,50). Se
você soma esses gastos e multiplica pelos dias da semana vai perceber
que muitos empresários não têm fôlego para contratar funcionários”,
reclama.
SINE-PB DIZ QUE TEM OFERTA SATISFATÓRIA
Um dos meios para se conseguir uma vaga
no mercado de trabalho é o Sistema Nacional de Emprego na Paraíba
(Sine-PB), que nos primeiros meses deste ano ofertou volume
satisfatório de empregos, defende a responsável pelo setor de
articulação empresarial do órgão, Rita Rocha.
“Nós cuidamos da parte de recrutar a
mão de obra. Percebemos que muitas vagas foram abertas este ano. Só no
call center (AeC), por exemplo, já colocamos mais de 2 mil pessoas.
Estamos enviando dezenas para o galpão da cervejaria Itaipava, que está
chegando ao Estado, mas como não monitoramos os desligamentos, não
sabemos quantos continuam empregados”, disse Rita Rocha.
Mesmo ofertando muitos postos de
trabalho, o Sine-PB não consegue mudar a realidade do desemprego no
Estado graças às “manobras” de alguns dos empresários, é o que constata
o supervisor técnico do Dieese, Renato Silva. “A iniciativa privada
muitas vezes adota estratégias que desfavorecem o trabalhador, pensando
na sua diminuição de custos”, disse.
De acordo com Renato Silva, uma dessas
manobras é o desligamento prematuro. “Quanto mais tempo passa um
funcionário em uma empresa, maior sua pressão por melhores condições
salariais, como pedido de aumento, por exemplo. Por isso a maior parte
dos desligamentos são realizados no primeiro ano de trabalho do
funcionário, que é para ele não requerer as melhorias salariais. Essa é
uma realidade em todo o país”, disse.