Em entrevista Raíssa Lacerda anunciou rompimento com Ricardo Coutinho e fez duras críticas ao governo do socialista.
A vereadora Raíssa Lacerda (PSD) anunciou ontem o seu rompimento com o
governador Ricardo Coutinho (PSB). Em entrevista aos órgãos de imprensa
de João Pessoa, ela fez duras críticas à gestão do socialista e afirmou
que em breve a Paraíba voltará a sorrir, numa referência à provável
candidatura de Cássio Cunha Lima ao governo do Estado.
“A notícia tão esperada em breve será dada”, afirmou. Mesmo não
concordando com as críticas de Raíssa, o pai da vereadora, o
ex-vice-governador José Lacerda Neto, decidiu entregar o cargo de
secretário de Articulação Política do Estado.
Raíssa se disse decepcionada com o governador Ricardo Coutinho pela
maneira como ele tem tratado os mais diversos segmentos da sociedade. “O
governador não atende ninguém. Nem os secretários são atendidos, à
exceção de Ricardo Barbosa, o único que consegue falar com ele”, disse a
parlamentar.
Na entrevista, Raíssa Lacerda se mostrou desiludida com as promessas
que não foram cumpridas e disse que não poderia continuar apoiando a
gestão do governador.
“Eu acreditei tanto nesse governador. Ele prometia tanto tratar bem o
servidor, era o governador que defendia as categorias e são essas
mesmas categorias que estão me procurando para reclamar dele. Eu não vou
aceitar promessas que não estão sendo cumpridas”, desabafou Raíssa, que
garantiu não ter nenhum cargo indicado no governo estadual.
Raíssa esclareceu que o seu pai, o ex-vice-governador José Lacerda,
não apoia o seu posicionamento político em relação ao governador Ricardo
Coutinho e se depender dele a aliança com Cássio Cunha Lima será
mantida. “A opinião do meu pai é totalmente diferente da minha. Ele
torce para que a aliança seja mantida”. Segundo ela, José Lacerda foi
procurado por Ricardo para falar com Cássio a fim de que a aliança fosse
mantida.
Na tarde de ontem, José Lacerda entregou o cargo de secretário ao
governador, em caráter irrevogável. “Tal iniciativa decorre da posição
política externada por minha filha em programa radiofônico, fazendo com
que eu tomasse a presente decisão, de modo que a minha história e a
minha moral possam permanecer intactas e preservadas enquanto cidadão e
homem público com mais de 50 anos de serviços prestados ao povo
paraibano”.
Ainda na carta, Zé Lacerda agradeceu ao governador pela confiança
depositada e disse que estará atento ao cenário político, “promovendo os
passos e as articulações necessárias para que a Paraíba seja sempre
palco de avanços e conquistas sociais”. O vice-governador Rômulo
Gouveia, que preside o PSD no Estado, não foi localizado para falar dos
acontecimentos.
MAL SÚBITO
O secretário de Comunicação do Estado, Luís Tôrres, disse que o
comportamento de Raíssa Lacerda foi um "mal súbito". “O que realmente
inspirou a vereadora Raíssa, depois de 3 anos e 1 mês de governo, a
adotar uma postura dessa? Será que foi por causa de uma ou duas
alterações em cargos comissionados lá em São José de Piranhas, de nomes
que eram ligados a ela? Se a inspiração for essa, o governo não tem nada
a dizer. Já está dito", frisou.
RUY AFIRMA QUE DECISÃO NÃO EXPRESSA A POSIÇÃO DO PSDB
Em nota, o presidente do Diretório Estadual do PSDB, deputado Ruy
Carneiro, disse que a posição de Raíssa não representa o pensamento do
partido. Segundo Ruy, algumas das críticas verbalizadas pela vereadora,
da mesma forma que as supostas queixas que as motivaram, até podem ser
endossadas pelo PSDB e outros partidos, mas o tom e o contexto são
inadequados. "Para nós a crítica política tem limites claramente
inexcedíveis – a família e os familiares são alguns deles".
Ruy fez questão de acentuar o apreço do partido tanto por Raíssa como
por seu pai, o ex-vice-governador José Lacerda, "aliados históricos de
correção a toda prova, cuja companhia política sempre pretendemos
preservar", mas observou que na entrevista de Raíssa Lacerda há alguns
"equívocos de avaliação". A aliança com o governador, em 2010, foi feita
sobre uma carta de princípios e compromissos políticos em relação à
Paraíba, "sem que se esperasse nada de pessoal, inclusive gratidão,
embora esse seja um sentimento normal e até comum na maioria das
pessoas".
O presidente do PSDB destacou que o partido tem seu próprio
cronograma em relação ao processo sucessório e vai ouvir suas bases e
lideranças antes de definir se mantém a aliança com o governador do
Estado ou se apresenta candidato próprio ao governo. "Assim que tivermos
uma posição definida, todos os nossos aliados históricos serão também
consultados, inclusive o PSD, e os líderes José Lacerda e Raíssa
Lacerda".
Qualquer que seja o cenário político, no entanto, Ruy Carneiro
ressalta que o PSDB fará campanha "em alto nível", com os limites éticos
que sempre observou. "Eventuais discordâncias políticas ou opções
partidárias divergentes com o governo e com o governador não nos
tornarão automaticamente inimigos, pois todos os partidos têm o direito
legítimo de apresentar suas opções e candidaturas ao povo paraibano.
Para se apresentar como opção, não é preciso sair brigando com ninguém".