MARANHÃO AFIRMA SER CONTRA REELEIÇÃO

Com 60 anos de vida pública, o candidato a senador pelo PMDB José Maranhão diz que não tem nenhum interesse em se aposentar. No Senado, se eleito no pleito de outubro próximo, o peemedebista pretende buscar um espaço mais privilegiado para o Estado, que segundo ele tem sido esquecido no orçamento da República. Em entrevista exclusiva concedida ao JORNAL DA PARAÍBA, José Maranhão critica o "salve-se quem puder" na política-partidária e nas eleições, e defende o voto facultativo, dentre os temas discutidos na reforma política. Sobre as eleições para governador, Maranhão afirma que o PMDB não poderia deixar de ter candidatura própria, e que o partido está focado no 1º turno. "A eleição de segundo turno é outra eleição", disse.

JORNAL DA PARAÍBA - O senhor foi governador e senador da República. Nesta eleição está disputando mais uma vez o cargo de senador, que tem um mandato de 8 anos. O senhor pensa em se aposentar da política?

JOSÉ MARANHÃO - Não. Eu vou chegar ao Senado da República não para buscar uma aposentadoria - até porque, se quisesse, já estaria aposentado - mas pretendo chegar ao Senado para representar bem meu Estado. Isto significa levar um acervo de experiências que obtive ao longo de uma vida pública extensa: 60 anos, incluindo aqueles em que tive meus direitos políticos cassados. Por isso, me considero habilitado. O Senado não é um lugar para se aprender, mas para pôr em prática as experiências auferidas ao longo de uma trajetória. A Paraíba me conhece e sabe que não estou aspirando a uma aposentadoria. E os cargos que exerci, até hoje, à exceção de secretário de Agricultura do Estado, foram conquistados com o endosso popular.

JP - Em se elegendo senador, o que o senhor pretende fazer pela Paraíba? Quais são os seus projetos em defesa dos interesses do Estado e da Nação?

JOSÉ MARANHÃO - Buscarei conquistar um espaço mais privilegiado para meu Estado, que tem sido esquecido no orçamento da República. Basta olhar para a esquerda ou para a direita, para outros Estados como Pernambuco ou Rio Grande do Norte. Basta ver que fomos excluídos da Ferrovia Transnordestina, da política de atração de grandes indústrias e assim por diante. Em relação ao país, a prioridade é a modernização do ensino no nível médio e superior. O modelo atual está defasado. O mundo hoje exige uma competitividade, que só pode ser obtida pela ênfase no ensino tecnológico e científico. No ensino médio, é preciso ampliar o ensino tecnológico e profissionalizante, preparando os jovens para o mercado de trabalho, cada vez mais exigente.

JP - Fala-se muito na reforma política. O que o senhor pensa sobre o tema e quais as propostas que o senhor defenderia se eleito para o Senado?

JOSÉ MARANHÃO - A reforma política passa pela reforma eleitoral. O modelo atual está impregnado de vícios e práticas que maculam as eleições. Perdeu-se o sentido da disciplina partidária e do compromisso programático. É um “salve-se quem puder”. É preciso encontrar uma fórmula eficaz para o financiamento público de campanhas, para que pessoas menos afortunadas tenham o mesmo espaço na disputa eleitoral. Defendo o voto facultativo. É importante que o eleitor realmente queira escolher seus candidatos. É preciso modificar o sistema de eleição para as casas legislativas, elegendo-se em cada partido aqueles que obtiverem mais votos. Defendo, também, a coincidência de mandatos, de vereador a presidente, sem reeleição, com 5 anos de mandato.
JP - O que o senhor acha melhor: o Senado ou o governo do Estado? O senhor ainda sonha em voltar a governar a Paraíba?

JOSÉ MARANHÃO - Foram duas experiências diferentes. O mandato de senador confere aos parlamentares a força resultante da igualdade da representação entre todos os Estados, diferente do que ocorre na Câmara. No Poder Executivo é completamente diferente. Nele, temos a sensação de chegar mais perto do ideal de bem servir à coletividade, já que seu poder de realização concreta é maior. É da natureza do presidencialismo. Penso que já cumpri meu papel no Executivo e, modéstia à parte, penso que o cumpri bem. O que sempre me inspirou em todos os cargos que exerci foi a prestação do bom serviço à coletividade. Portanto, não diferencio os cargos do Executivo, dos do Legislativo. Ambos me dão a sensação do dever cumprido.

JP - Que projetos o senhor apresentou quando esteve no Senado? Existe alguma lei que teve a marca do senador José Maranhão?

JOSÉ MARANHÃO - Tive a honra de presidir a mais importante comissão do Congresso, a Comissão Mista de Orçamento. Nela, pilotei não apenas um projeto, mas o orçamento do país, que concretiza todos os projetos. Isso não é pouco. Detalhe importante: quando presidi a CMO, a Lei de Diretrizes Orçamentárias da República foi entregue no prazo estabelecido pela Constituição pela primeira vez. Batemos um recorde que ajudou a garantir recursos abundantes, para que a Paraíba pudesse realizar mais obras. Fomos elogiados por toda a imprensa nacional, porque conseguimos alocar recursos sem a CPMF, que era a base de sustentação do SUS. Essas conquistas só são possíveis quando há experiência. Eu sei como o Senado funciona.

JP - Como o senhor define o seu eleitor? Quem o senhor acha que vota na sua candidatura?
JOSÉ MARANHÃO - O meu eleitor é o autêntico cidadão paraibano que exige honestidade, mãos limpas, coerência, seriedade, experiência e compromisso com o futuro do nosso Estado. E é esse eleitor que vai definir o processo, porque ele sabe diferenciar entre aqueles que querem exercer um mandato em benefício da sociedade, daqueles que querem exercer um mandato apenas por carreirismo e oportunismo político.
JP - O PMDB, sob o seu comando, chega à eleição de 2014 isolado, sem conseguir fazer coligação com nenhum partido. O que aconteceu com o partido, que governou o Estado por mais de uma década?

JOSÉ MARANHÃO - O PMDB na Paraíba continua e continuará como um partido do povo. O grande compromisso do PMDB é com o povo da Paraíba. Por isso é que o meu nome como candidato a senador vem liderando todas as pesquisas até o PRESENTE. O grande partido da minha candidatura é o povo da Paraíba.

JP - O senhor acha que foi a melhor saída para o PMDB apresentar uma candidatura de última hora, como a de Vitalzinho, para disputar o governo do Estado?
JOSÉ MARANHÃO - O PMDB não poderia deixar de ter candidatura própria. O nome escolhido pelo partido é um nome de expressão. Vital do Rêgo é médico e advogado. E ninguém pode duvidar que seu desempenho no Senado da República é brilhante. Basta acompanhar sua atuação destacada no plenário e nas comissões técnicas. Vitalzinho ocupou a Comissão de Orçamento, a mais importante do Senado Federal, e agora preside a Comissão de Constituição e Justiça.

JP - Caso o PMDB não passe para o segundo turno na eleição para governador, que caminho o partido deverá tomar?

JOSÉ MARANHÃO - A eleição de segundo turno é outra eleição. No momento, estamos focados no primeiro turno. Temos uma candidatura competitiva e com boas propostas. Via de regra, os partidos que não participam com candidaturas próprias apoiam um dos nomes na disputa final. Para responder à pergunta, se essa for a hipótese, o PMDB vai decidir democraticamente, reunindo seus quadros, sobretudo aqueles que estão representando os partidos pelos mandatos que exercem, e indicar qual será sua posição. 
JP - O senhor enfrenta adversários do porte de Wilson Santiago e Lucélio Cartaxo. O que diferencia o senhor dos seus 
concorrentes?


JOSÉ MARANHÃO - Ninguém é bom juiz em causa própria. Eu estou em jogo. Evidentemente que eu não vou me subestimar, nem me superestimar. Prefiro dizer que quem estabelece essa diferença é o povo. E eu confio no povo.

jp
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