Estudo entregue a presidenciáveis mostra que é preciso dobrar verba de saneamento para universalização...
BRASÍLIA — Estudo da Confederação
Nacional da Indústria (CNI) entregue aos presidenciáveis e ainda inédito mostra
que o país precisará investir cerca de R$ 274,8 bilhões até 2033 para resolver
o déficit de saneamento. O valor é o aporte necessário para atingir as metas de
universalização traçadas para um período de 20 anos pelo Plano Nacional de
Saneamento Básico (Plansab). No ritmo atual de investimentos, nas contas da
confederação, a universalização ocorreria em 50 anos.
Os cálculos da CNI consideram a média
de investimentos para a ampliação da capacidade de água e esgoto realizados nos
últimos anos e a projeção da população para 2033. Segundo o estudo, em 2011
foram investidos R$ 9,2 bilhões nessas duas modalidades do setor de saneamento,
na soma dos aportes realizados por operadores, estados e municípios.
A CNI
destacou que, entre 1995 e 2011, a média anual foi de R$ 6,3 bilhões. Entre
2012 e 2022, seriam necessários investimentos anuais da ordem de R$ 136,3
bilhões (média de R$ 12,4 bilhões anuais) para alcançar as metas estabelecidas
no Plansab. Entre 2023 e 2033, o valor seria de R$ 138,5 bilhões (média de R$
12,6 bilhões anuais). O estudo da CNI não engloba os dados do Sistema Nacional
de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2012, que foram divulgados este ano e
mostram investimento de R$ 9,7 bilhões nos serviços de água e esgoto naquele
ano. Desse valor, 90% foram aportados por prestadores de serviços, 6,4% por
estados e 3,6% por municípios.
— O ritmo atual de investimentos
precisa ser acelerado para que sejam cumpridas as metas de universalização do
Plansab. Nos últimos anos, tem havido aumento nos aportes, mas é preciso
investir mais de R$ 12 bilhões anuais, em média, para que a meta seja cumprida
— disse Ilana Ferreira, analista de Políticas e Indústria da CNI.
HOJE, APENAS 37,5% DOS ESGOTO É TRATADO
Ilana destacou a importância do
fortalecimento das parcerias entre os setores público e privado para ampliar o
investimento em saneamento. A CNI também defende a desoneração de
investimentos, como forma de reduzir o custo tributário de aportes para ampliação
da capacidade de distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto.
OGLOBO
