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Galdino diz que não tomará nenhuma medida contra Tião Gomes

O novo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Adriano Galdino (PSB), disse na manhã desta segunda-feira (2) que não tomará nenhuma medida contra o deputado Tião Gomes, que desconectou os fios do painel eletrônico durante a eleição da mesa diretora. A mesa anterior, presidida por Ricardo Marcelo, chegou inclusive a acionar o Ministério Público e a Polícia Federal para investigar o caso.
De acordo com Adriano Galdino, a postura de Tião Gomes foi em razão de que o presidente anterior teria alterado o sistema de votação da casa sem a devida transparência. “Ele mudou o programa com uma nova formatação. Quem muda esse programa entende das coisas. E por que a gente não foi convidado para acompanhar, para participar? Aquela reação de Tião, que foi legítima, é fruto desse comportamento do gestor anterior”, afirmou.
As declarações de Adriano Galdino foram feitas durante entrevista à rádio CBN. Ele disse que como presidente da casa vai buscar manter a independência e a harmonia entre os poderes, conforme prevê a Constituição. “Eu vou fazer cumprir o artigo 2º da Constituição Federal. A Constituição diz que os poderes devem ser independentes e harmônicos”.
Ele agradeceu o apoio recebido do governador Ricardo Coutinho, mas deixou claro que não será subserviente ao Poder Executivo. “Quem me conhece e convive comigo sabe que eu sou um sujeito amigo, leal, mas não sou subserviente a ninguém. Isso não quer dizer que vou ser um atraso com relação aos outros poderes”, destacou o novo presidente da ALPB.
Abaixo a entrevista:
O senhor foi eleito numa disputa bastante apertada. O senhor projetava uma vitória de 21 votos. No entanto a diferença foi de apenas dois votos. Como o senhor avalia o resultado?
Com muita alegria e satisfação. O importante é que hoje eu sou presidente da Assembleia e serei presidente dos 35 deputados. Essa preocupação de saber quais foram os deputados que assinaram a lista e não votaram é uma preocupação menor, uma preocupação pequena. Eu acho que não faz mais sentido. Eu tenho que ter o equilíbrio, eu tenho que ter a humildade e reconhecer que eu sou hoje presidente graças a maioria, mas que tenho que administrar para todo os deputados.

Como presidente da Casa qual o maior desafio que o senhor acha que vai ter pela frente?
Democratizar a Casa. A Casa precisa abrir diálogo com os funcionários, com o sindicato, com os deputados de uma maneira geral. A Casa era administrada por um grupo de deputados. Agora nós queremos abrir esse debate para todos os deputados. Precisamos dialogar com os outros poderes de forma mais harmônica. A Paraíba perdeu muito com aquela briga exagerada do Executivo com o Poder Legislativo. Isso é muito ruim para a Paraíba e para os paraibanos também. Vou fazer cumprir o artigo 2º da Constituição, onde ele afirma que os poderes devem ser independentes e harmônicos. Vou manter a independência da Assembleia, mas vou buscar a harmonia com todos os poderes, para que a gente possa fazer uma gestão equilibrada, uma gestão voltada para os interesses maiores da Paraíba.

Como o senhor pretende tratar com o governo a questão do duodécimo da Assembleia Legislativa, que foi alvo de muita discussão na gestão passada?
Com muito diálogo, com muito equilíbrio, com muita determinação e buscando sempre a autonomia do Poder. Nós vamos fazer o enfrentamento de ideias. O governador deve expor o seu ponto de vista, nós da Assembleia iremos expor o nosso e vamos buscar o equilíbrio para que a gente possa encontrar uma solução melhor para ambos.

A construção de uma nova sede para Assembleia Legislativa vai ser uma de suas metas? O senhor tem como iniciar a obra?
É um sonho meu. Um sonho que eu vou buscar. Existe uma resistência não só em parte de alguns funcionários, como alguns deputados também, mas acima de tudo com o pessoal que cuida da história da Paraíba que não aceita de forma nenhuma que a Assembleia mude de local. Já iniciei esse debate até antes de ganhar as eleições e há uma resistência muito forte por conta da questão da praça dos 3 Poderes, que a sede sempre foi ali. Mas eu acho que essa questão de mobilidade urbana é uma questão que preocupa todo mundo, é uma questão que realmente precisa ser analisada e debatida de uma forma muito especial. A preço de hoje não comporta mais a Assembleia continuar no centro da cidade com as instalações que tem. Seria muito importante a gente tornar ela mais eficiente, com instalações melhores, mas num canto afastado do centro da cidade para que a gente possa ter uma melhor mobilidade urbana.

O senhor falou em harmonia dos poderes. Tendo recebido o apoio do governo do Estado para essa eleição da Assembleia como é que o senhor pretende encontrar um meio termo em se conduzir para que essa harmonia não seja confundida pela opinião pública com a própria omissão do papel de fiscalizar o governo e até com uma noção de subserviência ao governo em assuntos que sejam importantes serem debatidos com mais vigor?
Eu vou fazer cumprir o artigo 2º da Constituição Federal. A Constituição diz que os poderes devem ser independentes e harmônicos. Quem me conhece e convive comigo sabe que eu sou um sujeito amigo, leal, mas não sou subserviente a ninguém. Isso não quer dizer que vou ser um atraso com relação aos outros poderes. De forma nenhuma. Eu vou estar sempre aberto para dialogar, para conversar, para buscar o entendimento, para buscar o equilíbrio. Sou muito grato ao apoio que tive do governador. Confesso que sem o apoio dele eu não estaria hoje presidente. Mas acima de tudo tem as minhas obrigações constitucionais. O artigo 2º diz que os poderes devem ser independentes e harmônicos e eu vou buscar sim essa harmonia. A gestão passada pecou muito nessa questão da harmonia. Exagerou demais na questão da independência e a harmonia ficou em zero. Isso foi muito ruim porque a Paraíba perdeu muito. Eu lembro muito bem daquela questão do empréstimo da Cagepa que passaram mais de seis meses para aprovar aquele empréstimo. A Cagepa perdeu mais de R$ 100 milhões, uma quantia vultosa. A questão também da permuta dos terrenos do Shopping, que foi quase oito meses de debate. Uma coisa desnecessária. Eu acho que esse tipo de trabalho contra a Paraíba não é bom para a Assembleia. Os deputados que querem fazer oposição ao governo vão ter toda a liberdade de fazer essa oposição. Agora, o que não pode é deputado fazer oposição à Paraíba e aos paraibanos. Isso aí realmente é muito complicado e foi muito ruim para a Paraíba e para os paraibanos.

O senhor contestou muito o cumprimento do regimento durante esse processo eleitoral. Eleito presidente o senhor antecipou a eleição da mesa diretora do próximo biênio, coisa que não prevê o regimento. Como é que o senhor pretende enfrentar esses questionamentos? Inclusive o deputado Renato Gadelha informou que vai entrar com ação na Justiça. 
Pelo contrário, nós tomamos posse, aprovamos uma resolução. Nessa resolução alterava a data da sessão preparatória, consequentemente alterou também o regimento nesse quesito. Então, não foi feito nada à revelia. O plenário é soberano sob toda e qualquer decisão com relação ao regimento interno. Tudo foi feito dentro da harmonia e dentro de um respeito ao regimento. Hoje o regimento diz que excepcionalmente poderia ser modificado como foi no dia de ontem. Antigamente, na gestão anterior, principalmente, o cidadão antecipava a eleição para se perpetuar no poder e ele passou seis anos como presidente da Assembleia. Eu fiz diferente. Eu antecipei para dividir o poder, para alternar o poder. O deputado Gervásio Maia foi eleito para presidir o segundo biênio. É uma perspectiva nova para a Assembleia. Eu não cheguei para me apegar ao poder, mas sim pra partilhar com os colegas da casa esse poder que deve ter um constante rodízio. É muito salutar pra casa e muito salutar para os deputados.

O senhor, como presidente da Casa, pretende tomar alguma medida no âmbito administrativo com relação ao comportamento que teve o deputado Tião Gomes de arrancar os fios do painel eletrônico na hora da votação?
Tião não fez absolutamente nada que me permita tomar alguma providência contra ele. Ele apenas desligou o sistema, puxou as tomadas, porque não só ele mas todos nós estávamos desconfiados daquele sistema. A pergunta que deve ser respondida pelo presidente anterior é por que ele fechou a Assembleia, afastou todos os funcionários de informática da Assembleia e trouxe uma equipe nova para implantar esse programa da votação. Por que ele não usou os membros da informática da Assembleia, por que ele não chamou a nós que fazemos parte da outra chapa para acompanhar esse programa, por que foi feito assim de uma maneira obscura e no sábado fechar a Assembleia, colocar todos os funcionários da informática fora e junto com a equipe externa fazer esse trabalho? É muito complicado. Além do mais, aquele sistema eletrônico só tinha uma maneira de votar, que é sim, não e abstenção. Ele mudou o programa com uma nova formatação. Quem muda esse programa entende das coisas. E por que a gente não foi convidado para acompanhar, para participar? Aquela reação de Tião, que foi legítima, é fruto desse comportamento do gestor anterior.

jp
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