A crise econômica do País e a queda do repasse do Fundo de Participação Municipal (FPM) são apenas alguns problemas enfrentados pela Prefeitura de Massaranduba, no Agreste da Paraíba, a 136 quilômetros de João Pessoa. Os serviços na cidade estão paralisados há um mês por conta de uma greve e não há perspectiva de retorno às atividades normais, já que o Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais do Agreste da Borborema (Sintab) e a Prefeitura não se entendem.
Nessa quarta-feira (21), após mais de 30 dias em greve, os servidores municipais realizaram uma manifestação que terminou em confusão, havendo até agressões físicas. Os manifestantes saíram da sede do Sindicato Rural da cidade e se concentraram em frente à Prefeitura Municipal. Com a ajuda de um carro de som eles afirmaram que o governo municipal cortou os salários dos servidores e pediram explicações para a mudança.
O grupo insatisfeito com a Prefeitura ocupou o prédio. Eles acusam o ex-prefeito da cidade, Mendonça Coutinho, marido da atual prefeita Joana Darc Mendoça, de “num ato de desespero total”, rasgar faixas e tentar agredir membros do sindicato que se encontravam no local.
Em vídeo divulgado nas redes sociais é possível ver uma forte discussão entre um grupo de pessoas na frente da Prefeitura. Nas imagens, um homem, que seria o ex-prefeito, sai de uma Toyota Hilux e começa um empurra-empurra. Um homem de camisa vermelha e com uma bandeira na mão chega depois e dá um chute na porta do carro que atinge o ex-prefeito. Ainda na sequência é possível ver a policiais tentando conter a confusão. (Veja o vídeo abaixo).
O irmão da prefeita João Costa também teria participado do embate e acusa o ex-prefeito de agressão. Ele foi até a Central de Polícias em Campina Grande e prestou queixa contra Mendonça Coutinho. A prefeita Joana Darc negou, em contato com o Portal Correio, que o marido tenha agredido o irmão.
“Na verdade foi meu irmão que bateu em meu marido. Eu nem gosto de falar nesse assunto porque não existe nada pior do que a luta do poder na própria família. Ele sabe que Mendonça tem um temperamento de limiar pequeno, e colocou o celular gravando na frente dele. Mendonça tentou tirar o celular dele e foi agredido. Minha filha vendo que o pai estava apanhando tentou intervir e também foi agredida por seguranças que estavam meu irmão”, relatou a prefeita.
Em meio à confusão administrativa, política e familiar, o Sintab afirma que os servidores permaneceram em greve por tempo indeterminado, segundo o sindicato, pelo atraso e cortes nos salários dos grevistas. Ainda de acordo com o Sintab estão parados os serviços de Saúde, Educação e Administração.
A prefeita alegou que a greve começou depois da exigência do Ministério Público Estadual de que fossem instalados pontos eletrônicos nos serviços. “A maneira deles reivindicarem foi fazendo a greve”, disse. Segundo ela, há dificuldades da gestão com a folha de pagamento por causa da crise financeira e da queda do FPM, mas “que está fazendo o possível para atender os direitos dos servidores”.
“Dentro dos três anos de gestão eu dei ao todo 29% para o reajuste da Educação. Para a Saúde eu consegui colocar a insalubridade de 30%, mas nessa crise não tem como dar o reajuste. Eu já sentei com os servidores seis vezes para resolver essa situação”, argumentou.
A prefeita nega ainda que tenha atrasado salário dos servidores efetivos, com a exceção deste mês de outubro, que segundo ela foi pago no dia 10. Já os prestadores de serviços e comissionadas estão com salários atrasados há dois meses. Ela alegou que a folha é ampla e a prioridade é pagar os efetivos. No município há 456 efetivos e 96 prestadores, 7 eletivos e 63 comissionados, conforme esclareceu a prefeita.
Joana Darc afirma ainda que não são todos os servidores que estão parados e as atividades “na maioria das escolas já voltaram a funcionar”. Ela disse também que a o desembargador Frederico Martinho da Nóbrega Coutinho determinou a suspensão imediata da greve e, por isso, os pontos daqueles funcionários que não estão trabalhando estão sendo cortados.
LF/correio