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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

ALERTA DA FIOCRUZ: Zika vírus pode ser transmitido pelo beijo e carícias íntimas

A Fundação Osvaldo Cruz (FIOCRUZ) acaba de confirmar que foi detectada a presença ativa do vírus zika com potencial de infecção em saliva e urina. Altíssimo risco de transmissão por estas vias. Pesquisa da FIOCRUZ confirmou a presença de partículas infecciosas do vírus, com capacidade de replicação transmitidas pela saliva.

A recomendação é que a população evite contato físico durante o Carnaval, especialmente o beijo na boca. O compartilhamento de copos e talheres deve ser evitado, assim como grandes aglomerações. O uso de máscaras ainda não é necessário.

Já se sabia que o zika poderia estar presente tanto na saliva quanto na urina, mas é a primeira vez que sua presença ativa, com potencial de provocar a infecção, foi comprovada. Pesquisas ainda devem ser realizadas para se esclarecer se esta pode ser uma outra forma de transmissão, segundo o presidente da fundação.

De acordo com a pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), foram encontradas partículas infecciosas do vírus na urina de um paciente. Em outro caso, além da urina, a saliva também apresentou atividade viral. Neste contexto o sexo oral e a masturbação em parceiros podem ser fontes de contato com o vírus.

O anúncio científico inédito foi feito durante coletiva de imprensa na sede da instituição de ciência e tecnologia vinculada ao Ministério da Saúde, no fim da manhã desta sexta-feira.

SINTOMAS DO ZIKA VIRUS

Os sintomas do Zika vírus são semelhantes aos da Dengue, porém, o Zika vírus é mais fraco e por isso, os sintomas são mais leves e desaparecem entre 4 a 7 dias, porém é importante ir ao médico para confirmar se realmente está com Zika.

Inicialmente, os sintomas podem ser confundidos com uma simples gripe, provocando:

Febre, entre 37,8°C e 38,5°C;
Dor nas articulações, principalmente das mãos e pés;
Dor nos músculos do corpo;
Dor de cabeça, que se localiza principalmente atrás dos olhos;
Conjuntivite, que é uma inflamação do olho e que provoca cor avermelhada dos olhos, sensação de picada que leva a lacrimejar, inchaço das pálpebras e secreção amarela;
Hipersensibilidade nos olhos, e maior sensibilidade à luz do dia;
Manchas vermelhas na pele, que inciam na face e que se podem espalhar pelo corpo e, que podem ser confundidas com sarampo;
Cansaço físico e mental.
Veja:  Suicidio dá errado. Veja ele como ficou.
Também pode-se observar problemas digestivos, como dor no abdômen, náuseas, vômitos, diarreia ou prisão de ventre, aftas, coceira pelo corpo e tumores na região genital.

Perguntas e respostas sobre o zika na saliva e urina
Fiocruz acha vírus ativo, mas não há prova de que seja transmissível pelos fluidos

RIO — A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou na sexta-feira que detectou atividade do vírus zika em amostras da saliva e da urina de dois pacientes. O zika já havia sido identificado antes nesses fluidos, assim como em sêmen e leite materno. Porém, o estudo da Fiocruz indica que ele pode se manter ativo em urina e saliva. Em entrevista, o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, fez um alerta para as grávidas: segundo ele, a recomendação é que evitem contato físico, como beijo na boca em pessoas com suspeita de infecção. O compartilhamento de copos e talheres deve ser evitado, assim como grandes aglomerações. O uso de máscaras ainda não é necessário.
Gadelha esclareceu que não há uma recomendação para se evitar o carnaval, e disse que o maior cuidado deve ocorrer com as gestantes. Especialistas observaram, porém, que a descoberta da Fiocruz não significa que o zika seja transmissível por beijos, talheres e copos compartilhados, por exemplo. O mosquito é o principal meio de propagação da epidemia, e seu controle, a única forma de deter o avanço do zika.

Beijar transmite zika?

Não há comprovação científica disso. Tampouco em relação ao compartilhamento de copos e talheres.

O que foi de fato descoberto?

Que o zika pode se manter em atividade na saliva e na urina. Em laboratório, o vírus presente em amostras de urina e saliva de pacientes destruiu ou danificou células.

E o que a descoberta significa?

Que ele se mantém viável, vivo, nesses meios e não apenas no sangue e no sêmen, como se sabia até agora.

Por quanto tempo?

Não se sabe ao certo. Possivelmente, por cerca de 15 dias na urina e um pouco mais na saliva. No sêmen pode chegar há um mês.

Mas se ele se mantém ativo, não poderia infectar outra pessoa que tivesse contato com a saliva num beijo?

Não obrigatoriamente. Para haver infecção são necessários uma série de outros fatores, como a quantidade de vírus (carga viral) e se o meio de transmissão permite isso (no caso, as mucosas), por exemplo. O vírus poderia ser ainda destruído pelo sistema de defesa da outra pessoa e não causar infecção.

Mas o zika não é transmitido pelo sêmen?

Sim. Mas são conhecidos apenas dois casos de contaminação por esta forma, o mais recente deles, este mês, no Texas, EUA. Num terceiro caso ele foi isolado do sêmen de um homem infectado, no Taiti.

Por que essa forma não é eficiente?

Porque o vírus quase sempre é destruído pelo sistema imunológico humano.

Como o zika é transmitido pelo ato sexual?

De uma forma que a ciência ainda ignora, ele escapa do sistema de defesa humano e permanece no organismo, em fluidos corporais, por mais tempo. Curiosamente, não fica muito tempo no sangue após a infecção.

Por que o zika não é tão intensamente transmissível por sexo como outros vírus, entre eles o HIV, da Aids?

Porque ele é um arbovírus, uma classe de micro-organismos que precisa do mosquito como parte do seu ciclo de vida. Os arbovírus se replicam dentro do mosquito antes de infectar alguém. Esses vírus não sobrevivem muito tempo nos fluidos corporais humanos. São atacados pelo sistema imunológico e somem.

O vírus da Aids é diferente?

Ele é de uma classe totalmente diferente de vírus, um lentivírus. O HIV ataca justamente o sistema imunológico e pode permanecer nos fluidos corporais por toda a vida de uma pessoa.

Pesquisadora se diz surpresa

A pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), cujo grupo realizou o estudo, confirmou que não há comprovação de transmissão por saliva e urina. Segundo ela, foram encontradas partículas infecciosas do vírus na urina de um paciente. Em outro, além da urina, a saliva apresentou atividade viral:

— Fiquei surpresa de encontrar o vírus na urina, porque ela é ácida, num pH que normalmente inativa os flavivírus — afirmou a pesquisadora.

Paulo Gadelha disse que a descoberta da pesquisa é um alerta:

— O vírus foi encontrado de forma ativa, com capacidade de infecção, na saliva e na urina de pacientes portadores de zika. Isso muda o patamar e a forma como temos que desdobrar as pesquisas. Não significa que há possibilidade de infecção de outras pessoas através desses fluidos. Para determinar e discutir se há possibilidade de transmissão e, principalmente, qual é o significado potencial disso como veículo de contágio, muita pesquisa ainda tem que ser realizada.

O presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio, Alberto Chebabo, considera precipitado falar em transmissão por saliva e urina.

— Neste momento não faz sentido recomendar qualquer tipo de precaução em relação à saliva. Não há qualquer comprovação de que o vírus possa se propagar assim. A pesquisa foi realizada com apenas dois pacientes, e nenhum estudo com detalhes dos procedimentos foi ainda publicado em revista científica — salientou Chebabo, que é professor da UFRJ.

Amílcar Tanuri, chefe do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, um dos mais respeitados do país em genética viral, explicou que o fato de haver vírus na urina e na saliva não significa que estas sejam vias de transmissão:

— Achar o vírus ativo na saliva não quer dizer que ele possa ser transmitido para outra pessoa. O fato de ele ser cultivado em laboratório e ter mostrado atividade nas células quer dizer que ele estava viável. Não sabemos nem se a mucosa é uma via de infecção em seres humanos. Precisamos de mais evidências.

Tanuri acrescenta que é preciso saber como a saliva foi colhida:

— Qualquer ferimento na gengiva pode contaminar a saliva com sangue. Precisamos saber em que concentração estava o vírus. Há muito a descobrir.

Transmissão pouco provável

Alberto Chebabo, que já sequenciou o vírus zika em seu laboratório, considera pouco provável que a saliva seja um meio de contágio importante:

— Nem o HIV se propaga dessa forma. E o zika é um arbovírus, adaptado à transmissão pela picada de mosquito. Mesmo pelo sêmen, onde já se provou uma contaminação por zika, esta não é eficiente. As pessoas não precisam parar de beijar. O zika já foi encontrado no leite materno, e ninguém mandou as mães pararem de amamentar. É preciso ter cuidado mesmo é com o mosquito.

O presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, porém, defendeu que as grávidas tenham cautela.

— Colocam-se cautelas especialmente para gestantes. O vetor (mosquito) é o grande transmissor. Mas, havendo a hipótese e a suspeita de que possa no futuro vir a ser comprovado que essa via é possível, mesmo que em quantidades menores e com peso epidemiológico menor que a transmissão pelo vetor, especialmente as gestantes têm que tomar medidas de cautela — disse Gadelha.

Myrna Bonaldo observou que o zika foi detectado por PCR, teste que identifica seu material genético. Amostras de saliva e urina, coletadas quando os pacientes apresentavam sintomas compatíveis com zika, foram colocadas em contato com células Vero, usadas em pesquisas do gênero. Foi observada a destruição ou a danificação dessas células, o que comprova que o vírus estava ativo. Os pesquisadores da Fiocruz não sabem ainda o impacto da descoberta, mas ela pode ajudar futuramente a responder dúvidas sobre as formas de contaminação pelo zika.

O diretor do IOC/Fiocruz, Wilson Savino, lembra que a tarefa de comprovar a transmissão ou não por saliva deve mobilizar pesquisadores de todo o mundo. O compartilhamento de informações, disse ele, é fundamental.

Fonte: http://enfu.com.br/

Créditos: por João Carlos Olivetti
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