segunda-feira, 29 de julho de 2019

PB perdeu mais de 600 leitos pediátricos em nove anos, diz SBP

Em nove anos, a Paraíba perdeu 611 leitos de internação pediátrica, aqueles destinados às crianças que precisam permanecer no hospital por mais de 24 horas. É o que mostra uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Em 2010, eram 1.694 vagas. Já em 2019, o número caiu para 1.083. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (29).

Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado admitiu que muitos leitos de pediatria, sobretudo em João Pessoa, foram fechados nos últimos anos. “As prefeituras mantinham convênios com instituições privadas que fecharam e não foi contratualizado com outros serviços”.

Ainda na nota, a Secretaria informou que, no entanto, o governo ampliou o número de leitos da rede estadual nos últimos anos. “Só no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, referência de alta complexidade em Cardiologia e Neurologia, por exemplo, 29 leitos foram criados para atender às demandas de cardiologia e neurologia pediátrica. Para o futuro próximo, a SES já iniciou um estudos para ampliação de leitos pediátricos no Hospital Regional de Patos e a reconstrução da Maternidade Frei Damião, que deverá funcionar como um grande centro de saúde materno-infantil”, finalizou.

O levantamento aponta ainda que dos 611 leitos fechados na Paraíba, 173 unidades eram de João Pessoa. Veja as tabelas abaixo:


Dados nacionais
A pesquisa revelou que, nos últimos nove anos, o Brasil desativou 15,9 mil leitos de internação pediátrica, aqueles destinados a crianças que precisam permanecer no hospital por mais de 24 horas.

De acordo com os dados do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES), mantidos pelo Ministério da Saúde, em maio de 2010 o País dispunha de 48,8 mil leitos no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2019, o número baixou para cerca de 35 mil – uma queda aproximada de quatro leitos por dia.

Quem conta com um plano de saúde ou procura atendimento em unidades privadas também viu cair em 2.130 o número de leitos no mesmo período. Ao todo, 19 estados perderam leitos pediátricos na rede “não SUS”. São Paulo desponta com a pior queda: ao todo foram 762 unidades encerradas, seguido do Rio Grande do Sul (-251) e Maranhão (-217).

Segundo a presidente da SBP, dra. Luciana Rodrigues Silva, as informações coincidem com o panorama de limitações e precária infraestrutura que se apresenta àqueles que diariamente atuam nos serviços de assistência pediátrica. “A queda na qualidade do atendimento tem relação direta com recursos materiais insuficientes. Essa progressiva redução no número de leitos implica obviamente em mais riscos para os pacientes, assim como demonstra o sucateamento que se alastra pela maioria dos serviços de saúde do País”, afirma.

De acordo com ela, entre os agravos que mais têm levado as crianças a precisar de internação estão as doenças respiratórias, com prevalência acentuada nos períodos de outono e inverno, como bronquiolites, crises de asma e pneumonias.  Os problemas gastrointestinais, casos de alergias e as chamadas arboviroses, também de ocorrência sazonal, completam a lista que contribuem para o crescimento dessa demanda.

Estados e Capitais
No SUS, os estados das regiões Nordeste e Sudeste foram os que mais sofreram com a redução de leitos de internação: 5.314 e 4.279 leitos a menos, respectivamente. Em escala, surgem as regiões Sul (-2.442 leitos), Centro-Oeste (-1136) e Norte (-643). São Paulo foi o estado que mais perdeu leitos de internação infantil entre 2010 e 2019.

Neste intervalo de tempo, 1.583 leitos pediátricos foram desativados. Na outra ponta, apenas dois estados apresentaram números positivos no cálculo final de leitos SUS ativados e desativados nos últimos nove anos: Amapá, que saltou dos 182 leitos pediátricos existentes em 2010 para 237 no fim do ano passado (tabela I); e Rondônia, foi de 508 para 517 (tabela I).

Entre as capitais, São Paulo lidera o ranking dos que mais perderam leitos na rede pública (-422), seguidos pelos fortalezenses (-401) e maceioenses (-328). Três capitais, apenas, conseguiram elevar a taxa de leitos, o que sugere que o grande impacto de queda tenha recaído sobre as demais cidades metropolitanas ou interioranas dos estados (tabela II).


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