Delação de Burity cita que Livânia vetou João nas eleições de 2016

O ex-secretário de Estado do Turismo, Ivan Burity, revelou durante delação que a ex-secretária Livânia Farias chegou a se empoderar e ganhar força dentro do grupo do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), principalmente após a eleição de 2014, que garantiu a reeleição do socialista. Ele disse ainda que a ex-auxiliar de Ricardo chegou a vetar o nome de João Azevêdo para a disputa pela Prefeitura de João Pessoa nas eleições de 2016.

“Realmente teve uma época que Livânia mudou, ela empoderou-se no segundo governo de Ricardo, ali entre a eleição de Cida que tirou João. Ela não gostava de João, queimou João e botou Estela. Foi aí que ela passou a ter poder quando ela elege parentes em Sousa, apadrinha Márcia Lucena no Conde que não era nada. Então ela passou a ter uma… até a postura física dela mudou”, destacou Ivan.

Já na delação feita por Maria Laura Caldas, ela conta que as vitórias das campanhas políticas eram comemoradas no município de São Severino dos Ramos, em Pernambuco. Segundo ela, a ex-secretária Livânia Farias e outros auxiliares do Governo do Estado costumavam ir à cidade para participar de uma romaria.

“Dizem que toda vez que terminava a campanha, eles faziam uma viagem… é até irônico… para São Severino dos Ramos para agradecer, né? promessas que faziam. É um negócio que o povo faz, romaria”, disse Maria Laura.

Questionada por um promotor, Maria Laura disse que o ex-governador Ricardo Coutinho não participava. “Não. Acho que ele nunca foi, não, mas o resto, todo mundo ia. É tanto que lá em casa ainda tem uma sacola com umas camisetas que ela mandou preparar que era para ir pagar a promessa de 2014 e não foi. Eu às vezes brincava com ela e dizia: Mulher, a senhora está na Serasa do céu. Este tempo todinho…”, brincou a delatora.

Atual situação de Livânia 
Após a delação, a ex-secretária Livânia Farias foi liberada da prisão preventiva pela juíza da 5ª Vara Criminal de João Pessoa, Andréa Gonçalves Lopes Lins. Ela justificou a decisão com o argumento de que Livânia estaria colaborando com as investigações. Na decisão pela soltura, contudo, a magistrada impôs algumas condições. Uma delas a que proíbe Livânia de ter acesso às repartições públicas do estado e de manter contato com testemunhas e outros investigados da Operação Calvário.

Livânia também é proibida de se deslocar a uma distância maior de 200 quilômetros de João Pessoa e de exercer funções públicas. A ex-gestora tem, ainda, que comparecer ao Ministério Público em datas determinadas pelo órgão.

A ex-secretária foi presa no dia 17 de março quando desembarcava no Aeroporto Castro Pinto, na Grande João Pessoa. Ela é suspeita de corrupção por envolvimento no que o Ministério Público classifica como organização criminosa, envolvendo a Cruz Vermelha, Organização Social que gerencia hospitais no Estado.

A prisão ocorreu após depoimento do seu ex-assessor Leandro Nunes, que revelou a participação direta da ex-gestora na suposta Organização Criminosa, que teria desviado recursos da Saúde e também realizado o pagamento de propinas destinadas a bancar campanhas eleitorais no estado.
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