Doentes enfrentam a dor e uma fila invisível que anda lentamente em um hospital de referência da rede pública do Brasil, eles convivem com o descaso do poder público.
O sofrimento dos brasileiros forçados a esperar pacientemente nos mais diversos tipos de fila é algo que põe o nosso país em um patamas de desrespeito frente as outras nações.
O exemplo desta terça-feira (24) vem do Rio de Janeiro.
É uma fila invisível que anda lentamente em um hospital público reconhecido pelo atendimento de qualidade.
Dona Nide Oliveira tem artrose nos dois joelhos, anda com a ajuda de muletas e não consegue suportar as dores sem anestésicos.
“Olha, eu não tenho mais esperança, é muito difícil, moço, eles não sabem o que a gente passa nessa fila, eu sofro todo dia, dia e noite eu sinto dor”, relata a dona de casa.
Há quase três anos ela espera a vez na fila virtual do Into, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, hospital de referência no Rio.
A posição de dona Nide na fila de espera dos pacientes do Into: 1293ª. "É isso que eles falam, tem que esperar", disse dona Neide.
O motorista Aguinaldo da Silva vive a mesma angústia. Ele está na fila do Into há mais de seis anos aguardando uma cirurgia no quadril. A longa espera agravou o estado de saúde.
"Dor 24 horas, à base de remédio, inclusive está tudo aqui na bolsa" disse o homem.
Quem vai ao Into não vê tumulto, confusão, muito menos fila. Mas se fosse possível reunir em um só dia todas as pessoas que aguardam a vez na fila virtual para serem operadas lá, o tamanho da fila de verdade seria de aproximadamente sete quilômetros de extensão, o suficiente para dar nove voltas e meia no quarteirão onde fica o instituto.
A Defensoria Pública da União vem tentando reduzir o tamanho dessa fila. E cobra medidas da Prefeitura do Rio, do Governo do Estado e do Governo Federal para aliviar o Into.
LF/bom dia brasil
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