Um estudo internacional comprova o que muita gente já desconfiava. Os investimentos aumentaram, mas os gastos na educação brasileira ainda são baixos comparados com outros países.
Falta computador para os alunos, faltam bons salários para os professores, que têm abandonado a carreira por causa de baixos salários, e falta mais investimento na educação básica, que é aquela que inclui desde a alfabetização até o ensino médio. O estudo foi feito pela organização internacional OCDE.
O ano, 2015. A era, tecnológica. Mas não nas escolas do Brasil. Alguns colégios não tem nada. Outros até têm alguns equipamentos, mas não funcionam. O fato é que a média no país é de um computador para cada 22 alunos. Está longe, mas bem longe do que é a média dos países do estudo, que é de um computador para cada cinco alunos.
E mesmo que as escolas fossem cheias de salas como a mostrada na matéria, um em cada 3 professores acha que não tem preparo suficiente para usar as chamadas ferramentas tecnológicas.
Sem preparo, com baixos salários, tomando como base o piso de 2013, por ano, o mínimo seria de cerca de US$ 12 mil, ou R$ 44.640 para professor iniciante. É menos da metade do que os professores, também em início de carreira, ganham nos países do estudo, onde a média é de US$ 29,8 mil, ou seja, R$ 110.856.
O cenário é esse. E olha que o Brasil aumentou muito o investimento em educação. Cresceu 82% de 2005 a 2013, o maior entre os países pesquisados.
O governo comemora, mas especialistas dizem que é preciso muito mais, especialmente na educação básica. E ser for olhar o gasto por aluno, é baixo demais comparado com outras nações. O custo, por ano, da educação básica à superior é de US$ 3.441 ou R$ 12,8 mil, um terço do que os outros gastam.
“Se a gente não tiver infraestrutura, uma formação de professor, uma gestão eficaz e a questão das tecnologias entrando na sala de aula, a gente não vai conseguir a qualidade que a gente quer”, diz Rebeca Otero, coordenadora de Educação da Unesco/Brasil.
E está aqui no Brasil o maior índice de jovens de 20 a 24 anos que não estavam estudando em 2013. A maioria troca a escola pelo trabalho. E para completar, um em cada 5 jovens que tinham entre 15 e 29 anos não estudava e nem trabalhava, bem acima da média dos outros países, que não passou de 16% nessa chamada geração “nem nem”.
“A gente precisa ofertar educação para os nossos jovens para que eles realmente adquiram os conhecimentos necessários para enfrentar o mundo do trabalho ao longo de toda a sua vida”, acrescenta Rebeca Otero.
Outra notícia preocupante é a de que o índice que mede quantos estudantes concluíram o curso superior cresceu apenas 3% aqui no Brasil. Nos outros países o aumento foi de 34%.
LF/bom dia brasil