Em meio a pandemia Câmara do Junco do Seridó cassa prefeito

A Paraíba tem hoje mais de 900 casos de Covid-19 e 68 mortes registradas. Uma das vítimas fatais da doença foi uma idosa, de 86 anos, moradora da cidade de Junco do Seridó, no Sertão do Estado. A cidade, uma das menores da região, já registrou outros dois casos do novo vírus. Mas os vereadores do município não demonstram estar, ao que parece, preocupados com a doença e com o isolamento social. Até ontem as sessões da Câmara continuavam sendo feitas normalmente, com todos presentes no plenário da ‘Casa’.

Na sessão de ontem, inclusive, eles decidiram afastar do cargo por 72 dias o prefeito do município, Kléber Fernandes. O gestor é alvo de uma CPI na ‘Casa’ que apura um suposto “crime de responsabilidade e infração político-administrativa”. O vice-prefeito, que faz oposição a Kléber, não assumiu e ao que parece, o presidente do parlamento, foi empossado. 

O prefeito foi denunciado por ter, supostamente, oferecido R$ 46 mil em propina a um vereador da cidade. O objetivo, segundo a denúncia, era fazê-lo votar a favor da aprovação das contas do ex-prefeito Cosmo Simões (tio do denunciado) – que tinham sido rejeitadas pelo Tribunal de Contas (TCE-PB). O prefeito nega a acusação e se diz vítima de armação por parte do vereador oposicionista.

Querelas políticas à parte, o fato é que o momento não é dos mais oportunos para um afastamento desse tipo. Além da crise sanitária, o município terá que conviver agora com a instabilidade política e administrativa. A cidade, que deveria estar dedicada às medidas de isolamento social e de combate à doença, convive com um Legislativo que poderia se reunir (como tem sido em praticamente todas as cidades paraibanas) através de videoconferência. Não é um bom exemplo.


Com Jornal da Paraíba 
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