Como a Venezuela foi um dos países mais ricos e democráticos da América Latina até os anos 1980

Quando a Venezuela era rica e democrática: o país que destoou das ditaduras latino-americanas

Quando a Venezuela era rica e democrática: o país que destoou das ditaduras da América Latina

Durante grande parte do século XX — especialmente entre as décadas de 1950 e 1980 — a Venezuela foi um dos países mais ricos, estáveis e democraticamente organizados da América Latina. Em um período marcado por golpes militares e regimes autoritários em nações vizinhas, o país sul-americano construiu uma trajetória que contrastava fortemente com o cenário regional.

Enquanto Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e outros países viviam sob ditaduras, a Venezuela manteve eleições regulares, alternância de poder e instituições funcionando de forma contínua, tornando-se referência democrática no continente.

O pacto democrático que garantiu estabilidade

A consolidação da democracia venezuelana começou em 1958, com a queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez. No ano seguinte, os principais partidos políticos firmaram o chamado Pacto de Punto Fijo, um acordo que assegurava respeito aos resultados eleitorais, governabilidade e exclusão de aventuras autoritárias.

Esse pacto permitiu que o país atravessasse décadas sem rupturas institucionais, mesmo em meio às tensões da Guerra Fria e à instabilidade política que assolava a América Latina.

A riqueza do petróleo e o auge econômico

A prosperidade venezuelana teve como principal motor o petróleo. O país tornou-se um dos maiores produtores mundiais e utilizou essa riqueza para financiar políticas públicas, infraestrutura, educação e serviços sociais.

Até os anos 1980, a Venezuela apresentava altos índices de desenvolvimento humano, forte classe média, moeda valorizada e intenso fluxo migratório — inclusive recebendo milhares de brasileiros, portugueses, espanhóis e italianos em busca de oportunidades.

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O início da decadência e o fim de um ciclo

A partir do final da década de 1980, uma combinação de queda nos preços do petróleo, má gestão econômica, endividamento e crise social começou a corroer as bases do modelo venezuelano. O episódio conhecido como Caracazo, em 1989, simbolizou o rompimento entre Estado e sociedade.

Esse ambiente de insatisfação abriu espaço para discursos populistas e para a ascensão de líderes que prometiam romper com o sistema tradicional, culminando anos depois na chegada do chavismo ao poder.

Uma história que ajuda a entender o presente

Entender a Venezuela rica e democrática do passado é fundamental para compreender a complexidade da crise atual. O país que hoje enfrenta colapso econômico, êxodo populacional e isolamento internacional já foi símbolo de estabilidade, prosperidade e democracia em um continente marcado por autoritarismos.

A trajetória venezuelana serve como alerta histórico sobre os riscos da dependência excessiva de recursos naturais, da erosão institucional e do abandono do equilíbrio democrático.

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