sábado, 1 de setembro de 2018

PB tem índices precários de educação, longe da média nacional

É extremamente preocupante a qualidade do ensino escolar oferecido na Paraíba. A conclusão é clara e está no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2017, divulgado nessa semana pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). O estado ficou abaixo da já precária média nacional em todos os aspectos analisados e demonstra que não consegue formar alunos com conhecimentos básicos em português e matemática.

Em todo o Brasil, a pesquisa visitou mais de 70 mil escolas entre municipais, estaduais, federais e privadas e avaliou mais de 5,4 milhões de estudantes de diferentes momentos de suas vidas escolares.

Os resultados foram desastrosos, de forma que o relatório final do Inep avisa que “as enormes desigualdades educacionais no Brasil, de maneira geral, persistem”. Informa também que “cerca de 70% dos estudantes terminam a Educação Básica sem conseguir ler e entender um texto simples e sem conhecimentos mínimos de matemática”. E, por fim, avisa que a situação do Ensino Médio “encontra-se praticamente estagnada desde 2009”.

Não existem dados sobre quantos estudantes paraibanos foram avaliados, mas sabe-se que na Região Nordeste o montante foi de 1.600.653 estudantes. Ainda com relação ao relatório, a propósito, a Paraíba não é citada de forma positiva em nenhum dos momentos.

Os preocupantes números da Paraíba

Tal como acontece no resto do Brasil, a educação paraibana é em média muito ruim em todas as 12 séries escolares, mas o nível educacional vai caindo vertiginosamente com o passar dos anos.

Para efeito de classificação, ficou definido que um desempenho estudantil seria considerado “insuficiente” sempre que o aluno tirasse nota entre 0 e 3. E seria considerado “adequado” apenas quando a nota fosse de 7 para cima. Entre 4 e 6, o desempenho seria considerado apenas “básico”.

Na média geral da Paraíba, portanto, entre alunos do 5º ano, 53,18% deles foram atestados com desempenho inferior em português e 46,63% deles foram atestados com desempenho inferior em matemática. Em sentido contrário, apenas 6,66% têm conhecimento adequado em português e 8,6% em matemática.

As diferenças são gritantes. Mas pioram na medida em que o estudante avança em sua vida escolar. Entre estudantes do 9º ano, por exemplo, a relação na prova de português foi de 70,49% insuficientes e 1,56% adequados. Já em matemática, o índice é de 73,09% e 2,35%.

Seguindo a tendência de queda, os números do 3º ano do Ensino Médio são ainda mais sofríveis, em que 76,19% dos estudantes foram reprovados em português e 76,78% foram reprovados em matemática. Isso significa dizer que mais de 3/4 de todos os estudantes paraibanos terminam seus 12 anos de estudos escolares sem assimilar os conhecimentos básicos para, por exemplo, passar num vestibular ou entrar de forma competitiva no mercado de trabalho.

No sentido contrário, 1,32% dos estudantes terminam o Ensino Médio com conhecimentos adequados de português e 3,96% conseguem o mesmo em matemática. Para efeito comparativo, nesta faixa educacional a média nacional é de 5% e 7% respectivamente. Uma média baixa, é verdade, mas que supera em muito os números locais.

Escolas municipais, estaduais, federais, privadas…

Os números comprovam ainda a alardeada distinção entre estudantes pobres e ricos, ao demonstrar que os índices das escolas estaduais e municipais são em regra piores do que a das escolas privadas, normalmente reservadas para estudantes com melhor poder aquisitivo. Mas a pesquisa mostra também dois dados importantes: a primeira delas é a força das escolas federais; a segunda delas é que mesmo estando melhor que a média local, as escolas privadas também sofrem com graves problemas.

Para demonstrar isso, vale analisar os números separados por tipo de escola nos dois extremos, entre estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental e entre estudantes do 3º ano do Ensino Médio.

No primeiro caso, na avaliação de português, o índice de desempenho insuficiente é o seguinte: 61,36% em escolas municipais, 59,85% em escolas estaduais, 22,65% em escolas privadas e 20,01% em escolas federais. Já com desempenho adequado, os números se invertem: 4,04% nas municipais, 4,42% nas estaduais, 16,52% nas privadas e 20% nas federais.

Mas quando se analisa a mesma prova de português no 3º ano do Ensino Médio, o índice de reprovação fica em 84,57% nas escolas estaduais, 66,74% nas escolas municipais, 40,34% nas escolas privadas e 5,12% nas escolas federais. Contra um índice de desempenho adequado de 0% nas escolas municipais, de apenas 0,26% nas escolas estaduais, de 5,82% nas escolas privadas e de 20,51% nas escolas federais.

Os números são impressionantes porque mostram que o índice de estudantes com avaliação ruim é de fato menor nas escolas privadas, por exemplo, mas isso não significa dizer que essas instituições ofereçam um ensino de excelência, visto que também apresentam números baixos de estudantes com desempenho adequado. As escolas privadas, superadas em todos os índices pelas escolas federais, diga-se, conseguem em geral, no máximo, formar alunos apenas medianos, com nível “básico”, mas sem se destacar muito para além disso no último ano de vida escolar.
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Balanço Geral - Correio FM 98.1

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