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domingo, 24 de janeiro de 2016

Novo acordo ortográfico passar a ser cobrado em concursos

No dia 1º de janeiro deste ano, entrou em vigor, finalmente, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Assim, as novas regras passam a ser oficialmente cobradas em concursos públicos. Embora ainda haja certa polêmica entre os próprios professores da língua, se a reforma foi positiva ou negativa, o fato é que a partir de agora os estudantes terão que estar com elas definitivamente na ponta da língua para se dar bem no concurso público.

O professor de Português Chico Viana acredita que, com o uso, não vai ser difícil incorporar as novas regras. “É claro que no emprego do hífen muita coisa terá que ser decorada, pois não há coerência em grande parte do que foi mudado”, afirma. Segundo ele, os principais erros cometidos em redações que corrige são em relação ao emprego do hífen e a presença do acento agudo nos ditongos abertos “éi” e “ói” de vocábulos paroxítonas (como em ideia e paranoia). O acento permaneceu apenas em vocábulos oxítonos, como “cartéis” e “faróis”.

Para o professor Chico Viana, a melhor forma do estudante aprender as novas regras é ler muito, ir ao dicionário e praticar a escrita. “Não há outro caminho. Quem lê, internaliza mesmo involuntariamente a forma de escrever. Ao ler, fotografa-se a palavra, que é arquivada na memória. O uso, por meio da escrita, torna a sua grafia familiar. É lamentável como nossos alunos vão pouco a dicionários; com isso, deixam não só de aprender a grafia correta das palavras como também de perceber-lhes os vários sentidos, que se ajustam aos variados contextos. Sem essa percepção ninguém lê nem escreve bem”, opina.

Já de acordo com o professor Erik Anderson, é muito importante que o concurseiro saiba que não ocorreram mudanças no emprego das letras. “X” e “ch”, por exemplo, continuam sendo rigorosamente empregados como sempre foram. O mesmo ocorre com os pares “g”/ “j”, “s”/”z”. Apenas “s” e “r” foram duplicados em algumas palavras, em razão da queda do hífen, como em “antissocial” e “contrarreforma”.

“Outra questão importante são as mudanças no acento diferencial: “para” (verbo), “pera”, “pelo” e “polo” representam alguns casos da perda do acento; já em “pôde” (passado), “têm/vêm” (plural) e “pôr” (verbo), o acento diferencial permaneceu. Isso já caiu em concurso algumas vezes nos últimos anos”, recorda Chico. “Ainda no campo da acentuação gráfica, vale lembrar que os ditongos abertos paroxítonos também perderam o acento. É o caso de “ideia”, “assembleia”, “joia”, “paranoia” e “heroico”. Cuidado com palavras como “herói”, “papéis” e “sóis”, nas quais o acento permanece porque não são palavras paroxítonas”, adverte.

Para o professor, como se trata de um conteúdo que envolve mais a memória do que o raciocínio, o aprendizado dá-se mais com a leitura de gramáticas, dicionários e manuais de ortografia impressos ou digitais. “Trata-se de um assunto para constantes pesquisas e consultas. A internet tem boas opções. Para tirar qualquer dúvida quanto à grafia das palavras, basta acessar o aplicativo Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), disponível no sítio eletrônico da Academia Brasileira de Letras”, indica.  

Dificuldade maior

De acordo com o professor de Português Chico Viana, a reforma ortográfica veio, em certos aspectos, aumentar a dificuldade no Português. "Dizem que o húngaro é mais difícil, mas nossa língua é gramaticalmente mais complexa que, por exemplo, o inglês. A reforma ortográfica, em certos aspectos, veio aumentar a dificuldade. Como explicar a um estrangeiro que “sereia” se pronuncia com o ditongo fechado (êi) e “ideia” se pronuncia com o ditongo aberto (éia)? Antes havia um acento agudo para indicar a abertura da vogal, mas ele desapareceu. E quanto ao trema? Como um nativo de outro país vai aceitar que, em quilo, o “qui” se pronuncia “ki” e em “tranquilo” se pronuncia “kui”? Não vi nenhuma vantagem em se abolir o trema", explica. 
No caso do hífen, as mudanças, para ele, também acabaram complicando. "Um ponto negativo foi retirá-lo dos compostos formados com palavras de ligação, como pé de moleque, dor de cotovelo. O hífen existia para diferenciar esses vocábulos de locuções como “dona de casa” ou “estrada de ferro”.

Cursinho é ótima opção.

A concurseira Carla Juliana Gonçalves já fez dois cursos de Português. "Eu fiquei preocupada com a questão do Português e procurei um cursinho, tanto em 2010 como em 2012", conta. "A professora tinha uma didática muito boa e conseguiu passar o conteúdo de forma bem simplificada, aí não tive mais tanta dificuldade", comemora. Hoje, Carla está concluindo o curso de Direito e estudando para concursos na área jurídica. Todo dia, ela se dedica a estudar pelo menos seis horas por dia para conseguir vencer os editais. 
Para ela, é positivo o fato das normas terem, finalmente, entrado em vigor. "Nessa fase de transição ficava um pouco complicado porque você tinha que saber tanto as regras antigas como as novas, o que acabava causando uma certa confusão. Tinha concurso que colocava no edital que seriam cobrada as novas regras, mas também tinham aqueles que não estipulavam isso e, mesmo assim, cobravam, então você tinha que estar preparado para qualquer coisa. Agora, fica mais fácil, que a gente já sabe com o que vai se deparar", opina.

3 Perguntas.

Para o professor de português Erik Anderson.

JP: O que significa dizer que a partir de agora as mudanças entraram plenamente em vigência?
O Acordo Ortográfico foi assinado em Lisboa, no ano de 1990, mas só ratificado e promulgado no Brasil em setembro de 2008, por meio do Decreto 6.583/08. Esse decreto possui um dispositivo que instituiu um prazo de coexistência, isto é, um período em que as duas normas eram igualmente consideradas corretas, a fim de que os brasileiros se adaptassem às novas mudanças. O prazo estipulado expirou em 31 de dezembro de 2015. Com isso, qualquer grafia que destoe das novas regras vigentes constitui erro ortográfico.

JP: Por que foi realizada a reforma ortográfica? Com que objetivo?
A nova convenção ortográfica teve como finalidades básicas promover a uniformização e a simplificação da ortografia da língua portuguesa em todos os países lusófonos (aqueles que têm o português como língua oficial). No português brasileiro, a nova ortografia gerou alteração em pouco mais de 0,5% dos vocábulos, uma vez que abrangeram apenas o emprego do trema, do hífen e de alguns casos de acentuação gráfica; as mudanças foram mais sentidas em Portugal.

JP: Qual sua opinião sobre essa reforma?
Reconheço que houve avanço no quesito simplificação. O emprego hífen, por exemplo, ficou mais acessível. Antes, eram muitas regras e exceções. Agora, basta lembrar-se de colocar o hífen quando duas letras iguais se encontrarem. Ou seja: auto + escola = autoescola (sem hífen, pois "o" e "e" se encontram); mas anti + inflamatório = anti-inflamatório, visto que há um encontro homogêneo entre “i” e “i”. Outro exemplo: se houver “h”, a tendência é que haja o hífen, como em “super-homem” e “anti-horário”. Claro que ainda há algumas exceções, mas elas diminuíram bastante.  

Com Jornal da Paraíba
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