Dados preocupantes em relação à balança comercial estão sendo percebidos no encerramento do ano de 2014 no Brasil. Em outubro foi registrado o pior resultado para o mês desde 1998, com um déficit de US$ 1,17 bilhão. Esta conta leva em consideração o volume de importações, que superou as exportações. Este quadro é bem parecido com o que se verifica no Nordeste e os reflexos também podem ser vistos na Paraíba.
Se o Nordeste fosse um país, estaria terminando o ano com um déficit na balança comercial de mais de US$ 10 bilhões. Isto porque enquanto a região exportou US$ 13,5 bilhões, as importações alcançaram mais de US$ 23 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
A Paraíba amarga uma triste realidade, neste contexto de comércio internacional. Apesar do nosso Produto Interno Bruto (soma de todas as riquezas do estado) ser maior que o do Rio Grande do Norte, o foco e o parâmetro têm sido o vizinho estado de Pernambuco. Entre as causas para isto estão os investimentos em infraestrutura feitos no Porto de Suape, que transformaram o cenário de movimentação de cargas.
Enquanto a Paraíba movimentou, entre janeiro e outubro deste ano, US$ 735 milhões, entre importações e exportações, Pernambuco chegou no mesmo período a quase US$ 7 bilhões. Ou seja, o comércio exterior de Pernambuco é aproximadamente sete vezes maior que o da Paraíba.
Para o consultor em mercado internacional, Wilbur Holmes Jácome, o nosso estado “é vítima do engessamento das leis federais”. Ele lembra que nos últimos quatro anos o Governo do Estado conseguiu trazer cerca de R$ 2 bilhões em investimentos privados, com o surgimento de mais de 100 novos negócios para a Paraíba. “Vimos missões público-privadas para Cuba, Portugal, Espanha e a divulgação de nossos diferenciais junto ao Banco Mundial nos Estados Unidos. Isso mostra abertura e capacidade de diálogo, no entanto, a Paraíba precisa mais do que essa boa vontade” disse.
Segundo Jácome, que foi Presidente da Companhia Docas da Paraíba e atualmente mora nos Estados Unidos, é preciso verba para investir na infraestrutura marítima para potencializar nosso comércio exterior, e esses investimentos só virão da iniciativa privada ou do Governo Federal.
Ele lembra que o Porto de Cabedelo é uma boa ferramenta e tem potencial de crescimento. Para ele, é hora dos parlamentares municipais, estaduais e federais unirem as forças em busca de verbas para dar continuidade aos projetos que já são de conhecimento do Governo Federal.
Portal Correio.